Kings of Graffiti – Cliff

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Kings of Graffiti – JA

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Não seria exagero colocar JA como o maior dos grafiteiros de Nova Iorque. Com um impeto e disposição invejáveis, o escritor é onipresente em toda Big Apple, nos cinco distritos. Inquestionável.

Original do famoso West Side de Manhattan, começou sua trajetória no graffiti a partir do ano de 1982 e em 1986 adotou o nome JA, nome que carrega até hoje. Com o titúlo de king que construiu em bons anos nas ruas, JA também colheu os frutos da sua audácia. Já foi espancado por policias, tomou 100 pontos na cabeça e já deve a Mass Transit Authority and the Department of Transportation de Nova Iorque mais de 5 milhões de doláres em danos ao patrimonio. No entanto, com todas as dificuldades que JA passou ainda permanece um dos mais atuantes e comentados grafiteiros de todo o mundo.

“Eu amo escrever. E vou pintar sozinho na maior parte do tempo. Não há um monte de caras que eu possa confiar para fazer isso comigo. E  amo fazer isso ainda. O graffiti me deixou obcecado ao ponto de levar isso como trabalho, saindo 6 noites por semana. Você joga fora suas relações com as garotas porque você prefere sair e pintar, trava uma guerra com as pessoas. Durante o dia, quando você está fora do trabalho, você quer sair e roubar tintas. Você é realmente um indivíduo fodido quando te pegam mas eu não me arrependo. E vou continuar a escrever quando eu quiser escrever, onde eu quiser escrever, como eu quiser escrever até o dia em que eu resolver não fazer mais isso, que eu não sei que dia vai ser. Realmente não importa!” explana JA sobre sua vida dentro do movimento.

Quando questionado o que realmente é importante pra ele, o escritor abre o jogo sobre suas aspirações pessoais. ” O que importa é ser o você é. Ser um bom amigo, um bom pai, uma boa mãe, um bom filho e filha. Ser fiel a si mesmo. Eu não me importo como isso soa a alguém. Eu comecei a escrever não para fazer amigos mas porque as pessoas que eu vi lá fora eram rebeldes, renegados. Me senti inserido nesse meio, estava fudido e pressionado contra uma parede do caralho. Eu sentia que ninguém me entendia. O  graffiti veio ao encontro disso, no sentido de … WoW você foi e fez isso! Você pode. Bem por isso eu sou um homem! É assim que eu me sentia.” finaliza.

Klops (EUA)

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Baer (EUA)

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Kings of Graffiti – IN

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Adepto da filosofia “quanto mais melhor”, IN foi um transgressor. Junto de CAP MPC, colocou fim na chamada “Era de Ouro”,  onde o graffiti começou a ser visto como vandalismo e não somente uma forma de arte. Passou literalmente por cima de tudo e de todos, destruindo toda a MTA em um curto período. Foi um dos mais rápidos “all citys” de toda a história.

 

Escolheu o nome “IN” por ser curto e direto, assim corria menos riscos de não conseguir terminar sua letra. No início pintava somente uma ou duas vezes em cada vagão, mas com o tempo já estava cobrindo trens inteiros com seu inconfundível “IN”, no que chamou pela primeira vez de “throw-up”. Quem não gostou muito foram os writers da época, chamados por ele de “toys”, expressão também usada pela primeira vez no graffiti por IN.

 

Kings of Graffiti – Joz e Easy

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Joz e Easy. A quem diga que os dois foram os escritores mais atuantes de toda a história do graffiti. Se é verdade ou não, pouco importa, o que se tem certeza é que eles deixaram sua marca na história:

 

Easy fez seu primeiro graffiti em 1982, quando ainda na época assinava LC: “Meu irmão me colocou no graffiti. Eu era totalmente contra no início. Um dia ele me convidou para pintar na linha e lá estava eu, escrevendo meu nome em trens: boom, boom, boom! Dias depois vi meu nome quando estava indo para a escola, pensei: nunca mais quero parar de fazer graffiti!” – conta Easy.

 

Josh 5 e Gast foram seus primeiros parceiros. Mas foi junto de Joz que Easy entrou de cabeça no graffiti: ”Foram muitas experiências. As ruas eram muito perigosas, Nova York era selvagem e o crack estava no seu ápice. Uma vez tínhamos acabado de pintar na linha quando fomos cercados por mais de 12 viaturas. Eles pensaram que estávamos praticando outro tipo de crime, não sabiam que estávamos só pintando. Fomos todos detidos. Joz e Chama ficaram pois eram muito novos para serem soltos.”

 

Em 2002, seu parceiro Joz acabou falecendo vítima de um ataque de asma. Por pouco Easy não teve o mesmo fim: “Ainda estou arrasado. Eu estava tão perto de falecer quanto ele. Meus pulmões entraram em colapso, tive pneumonia. Nós nunca usamos máscaras para pintar, mas sempre que eu preenchia meus bombs, eu prendia a respiração.” – explica Easy.

 

Depois da morte de Joz, Easy ficou um tempo sem pintar, e hoje em dia, bem mais devagar, vê uma cena diferente, com escritores novos, muitos buffs e uma polícia bem mais rígida: “A diferença da polícia de agora e a de antes, é que agora você pode pegar um crime…Eles(buff) tem algum tipo de máquina lustre-móvel que gira limpando e polindo tudo.” – comenta.

 

Em tom de brincadeira comenta algumas abordagens de policiais: “Eu sou mais velho do que muitos policiais! Eles esperam pegar adolescentes pintando e não alguém da minha idade. Eles sempre começam a rir e perguntam: “Quantos anos você está fazendo isso? O que você ganha com isso? Eu nunca consigui explicar. Só quem vive mesmo isso(graffiti) consegue entender. Mesmo assim rio e admito que eu estou envergonhado para eles.”

 

Para finalizar Easy deixa seu recado: “Minha mensagem é a seguinte: se você estiver indo pintar, basta ter respeito com os que vieram antes de você. Tenho respeito pelos novos e pelos antigos no movimento. Vamos mostrar um pouco de respeito uns pelos outros. Estamos todos juntos nisso.” – finaliza.

 

KALOR – LUA (Centro-Oeste)

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Em entrevista inédita, Kalor conta um pouco sobre a pixação no centro-oeste do país: gangues, disposição, muita tinta e um estilo diferente de tudo que ja foi visto!

 

Nascido em Brasília/DF, Kalor começou a pixar em 1998, quando ainda tinha 12 anos: “Na época era o auge das gangues de pixação em Brasília. Em Brasília não existiam “griffes”, e até nos dias atuais ainda não existe essa forma de união. Existem gangues com 200, 300 e até 500 membros.” –  comenta Kalor.

 

O ínicio dos anos 2000 foi o auge da gangue LUA, considerada uma das maiores, se não a maior, de Brasília, tema inclusive de estudos e publicações:

 

- Texto retirado do livro “Gangues, Gênero e Juventudes: Donas de Rocha e Sujeitos Cabulosos” da professora Miriam Abromovay:

“A LUA aparece em 1999, mas dos moleques já antigos na pichação, de outras tipo GDR e DFA, que se juntam e fazem a LUA. Tanto que na reunião para resolver o nome da LUA, tinha aí umas 60, 70, por aí. É pouco, em relação ao que rola hoje em dia. É muito pouco, hoje em dia uma galera de setenta moleques aí é galera de rua, tipo de quadra, de um só lugar assim, entendeu? Tipo galera da quadra assim junta os moleque e faz uma galera.” (Pág.80 – Entrevista c/ líder da LUA)

 

Em 2004, Kalor mudou-se para Goiânia, foi quando introduziu sua gangue na capital do estado goiano: “Em Goiânia, temos uma união com a gangue ALG (Amantes da Legenda do Graffiti), sigla de 1996. É a única com 18 anos, todas as outras da sua época também estão extintas. Muitas vezes pixamos apenas LUALG, que significa a união entre as nossas gangues.” – explica Kalor.

 

Mesmo distante de Brasília, a quase 240 km do DF, Kalor ainda mantém-se conectado com a capital do país: “Em Brasília já estamos com 16 anos, e não é exagero dizer que somos a número 1 da capital federal em atuação, as outras deram uma diminuída ao ponto de algumas entrarem em extinção. São parceiros de grande peso” -  comenta Kalor.

 

Três anos depois, em 2007, o líder da ALG resolve unir gangues das duas capitais, criando assim uma das primeiras “griffes” do centro-oeste, os “Neuróticos”, formado por apenas 5 siglas: ALG, KYG, LUA, MCD e MSN.

 

SOON (Bahia)

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