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Lendas da Pixação – Mutants

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No começo da década de 90, mais precisamente no ano de 1994, Maionese, até então um moleque fanático por histórias em quadrinhos de super-herois como X-Men, criaria um rolê que por anos seria visto em toda cidade de São Paulo. Nas mãos de MNS e Sartur, o letreiro definitivamente sofreu mutações ao longo dos anos e já teve integrantes como Tom, Killer, Mascot, Dú e Nato na família. Sem poderes mágicos como nos quadrinhos, Sartur e Maionese no entanto colecionam muitos anos de caminhada,milhares de rolês e histórias que fariam inveja a Stan Lee.

 

HORROR


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Insanes

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No ano em que a UOV (União Operação Vandalismo) completa 20 anos, os “INSANES” continuam representando a grife nas ruas de Osasco. Desde 1998 demarcando muros da cidade paulista, fazem parte do role: Ero, MTL e mais 2 parceiros. Muito respeito!

TENT (Digo)

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Original da Sul, Digo carega o rolê TENT pelos quatro cantos de São Paulo. Prédio, janela, beral, de escada, pé nas costas, no chão. Digo tem o portfolio completo! Muita atitude e disposição de um dos rolês mais pesados na cena de São Paulo!

 

Foto de capa por: Leandro Montovani

 

SATANICOS

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Original da Zona Leste de São Paulo, o role SATANICOS surgiu em 1994, quando os amigos Rapa, Gonzo, Lango e Will, voltavam de uma balada no bairro da Penha. No caminho encontraram uma lata de tinta e um rolo seco, e o que ali começou apenas por diversão, não parou nunca mais.

 

No início, o nome escolhido para representar o grupo foi “SATAN”, mas de lá pra cá muita coisa mudou. O nome passou a ser SATANICOS, novos integrantes entraram (JP, Ralf, VDR e MKR) e alguns deram um tempo, como Rapa e Gonzo, então casados. Em 2012, os mesmos dois amigos voltaram a ativa: “Resolvemos voltar e fortalecer o pixo que estava sendo bem representado pelo VDR e MKR nas ruas! Tamo aí na atividade!” – conclui Rapa.

 

A pixação para americano ver!

 

Segue na integra a reportagem veiculada em 2012 sobre a pixação paulistana em um dos jornais mais conceituados do mundo, O New York Times. Simon Romero, reporter do jornal, descreve uma visão estrangeira do movimento que mudou a concepção de arte no país tupiniquim. Leiam o artigo:

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The graffiti is just one reminder of the social ills that Brazil’s economic boom has so far failed to resolve, and may perhaps even be accentuating, despite recent strides in reducing income inequality.

 

At War with São Paulo’s Establishment, Black Paint in Hand

 

Há alguns anos as autoridades de São Paulo tem travado uma guerra contra o que eles chamam de “poluição visual”, proibindo publicidade externa, demolindo arranha-céus abandonados e planejando como resolver problemas e restruturar construções como o Minhocão.

 

Essa batalha para limpar a paisagem urbana em expansão se viu entrelaçada com um conflito social mais profundo entre ricos e pobres, em que a raiva faz com que os excluídos se manifestem de uma forma nunca antes vista em outras cidades.

 

Agindo contra estabelecimentos, jovens se armam de tinta preta, rolos, latas de spray e muita ousadia. Seu alvo: a paisagem que a sociedade se importa tanto em preservar.

 

“Nós praticamos a luta de classes, e não há vítimas dessa guerra”, diz Rafael Guedes Augustaitiz, 27. “Eles nos comparam aos bárbaros, e de certa forma tem um pouco de razão.”

 

Augustaitiz é parte de uma subcultura que executa uma forma de graffiti descrito por estudiosos como um “alfabeto projetado para a invasão urbana.” Tal escrita é notada em edifícios de São Paulo, arranha-céus residenciais e até mesmo monumentos públicos, com letras assustadoramente parecidas com a antiga escrita escandinávia rúnica.

 

Os praticantes mais ousados arriscam suas vidas escalando fachadas à noite para pintar suas letras nas cristas dos arranha-céus e deixando alguns mortos, em quedas de alturas assustadoras.

 

Sua arte, chamada de pichação (do verbo português “pichar” ou cobrir com piche), reflete a decadência urbana e as profundas divisões de classe que ainda definem São Paulo, uma cidade com uma população de aproximamente 20 milhões de pessoas. Mas isso é  apenas um lembrete de um dos males sociais que o boom econômico do Brasil, até agora, não conseguiram resolver. Problema considerado grave apesar de avanços na redução da desigualdade de renda no país.

 

Este mês, os brasileiros ficaram chocados com os confrontos em São José dos Campos, uma cidade industrial a 50 milhas de São Paulo, quando a polícia invadiu um assentamento, expulsando cerca de 6.000 moradores da área.

 

A fúria sobre esse episódio e a evidente ação violenta por parte das forças de segurança  aos de viciados em crack de uma parte do centro de São Paulo chamada Cracolândia, produziu um protesto feroz na semana passada contra o prefeito da cidade, Gilberto Kassab. Seu carro foi atingido por ovos e ele fuigiu.

 

“É positivo ver os outros reagem com indignação contra a nossa elite”, disse Djan Ivson Silva, 27, um líder dentro da pichação. “Nós levamos nossos riscos para a coletividade. Para começar, essa cidade é uma agressão visual e hostil para quem não é rico.”

 

Mantendo essa visão, é essencial para esses “subversivos” se mantenham no mundo underground em contraponto ao mundo da art mainstream.

 

Mesmo como outras formas de graffiti em São Paulo que possuem respeito como arte de rua, exposto em galerias aqui e no exterior, a pichação permanece desafiadora e fora de tais convenções, convidando reações viscerais de aqueles cansados de seu rabisco

 implacável através da paisagem urbana .

 

“Eles fazem prédios parecerem grotescos e repugnantes”, disse Telma Sabino, 45 anos, secretária, ecoando o sentimento anti-pichação de muitos paulistanos.

 

A pichação no entanto, fascina estudiosos da cultura urbana que estudaram o movimento desde que surgiu no anos 1980. Eles dizem que ela difere notavelmente de outras formas de grafite urbano em todo o mundo muitas vezes inspirado pela rotulação colorida de Nova York a partir de 1970.

 

Muitas vezes usando tinta preta com rolos em vez de materiais mais caros como spray, grande parte dos pixadores foram influenciados por capas de discos de bandas como Iron Maiden e AC/DC, sendo eles próprios, influenciados pelas letras góticas e runas vikings, disse François Chastanet, estudioso francês e autor de um livro sobre pichação.

 

O resultado foi codificado com letras pretas na vertical, muitas vezes indecifráveis para aqueles fora do movimento. Sr. Chastanet no entanto se maravilha com a capacidade de tal sistema de letras que ocupa essas áreas vastas da metrópole.

 

“Para os moradores de São Paulo pode ser considerada uma praga, mas temos de ver que, na sua solidez,  se trata de uma maravilha urbana.” diz Mr. Chastanet.

 

Gangues de pichação, muitas vezes são formadas por cerca de 10 membros, a maioria homens jovens de periferia, que pintam frases curtas, como “Terrorismo Poético”, ou seus próprios nomes, como “Zé”. Suas marcas raramente levam explícitas declarações políticas. Às vezes, os pichadores apenas rabiscam o nome de sua gangue, como “Cripta”. Eses grupos se organizam em associações mais amplas chamadas grifes, que pode conter até 50 gangues diferentes.

 

As grifes com nomes como “Os Mais Imundos” ou “Os Registrados no Código Penal,” competem um contra o outro para pintar os prédios cobiçados. Suas brigas de rua são violentas e podendo resultar até em mortes. Tais guerras, como são chamadas pelos pichadores, podem durar anos.

 

Gangues de pichação não se consideram grafiteiros/artistas em qualquer hipótese. Grafites coloridos, na sua opinião são uma forma menor de expressão, considerada mais fácil de fazer por ser no nível da rua.

 

Muitos no mundo da arte dificilmente entendem esse apelo a pichação, especialmente depois que gangues ganharam destaque quando invadiram a Bienal de Arte de São Paulo e a Choque Cultural, uma galeria de destaque para os artistas de rua, desfigurando e vandalizando obras originais.

 

Outros críticos da pichação questionam se a prática é tão politizada como alguns líderes de gangues dizem que é, ou melhor, se o movimento é uma forma vazia de expressão num espaço degradado que deveria ser explorado de novas formas, no intuito de melhorá-lo.

 

Um documentário de 2009, “Pixo”, explorou o mundo destes grandes escritores. O diretor João Wainer acompanhou gangues que escalam arranha-céus sem equipamento de escalada. “Eu estava com medo de que um deles iria cair para a morte na minha frente”, disse Wainer.

 

Ninguém morreu. Mas houve uma intensa propagação da pichação para outras cidades brasileiras. No ano passado picharam até  o braço do Cristo Redentor, marco do Rio de Janeiro .

 

Em Campinas, vizinha de São Paulo, um homem de 18 anos morreu depois de cair de um prédio onde ele estava pichando. Em outro episódio, na cidade de Belo Horizonte, um guarda noturno matou a tiros um homem que se preparava para pintar um galpão.

 

A sociedade derramou algumas lágrimas por essas mortes, mas o desenvolvimento que chocaria muitos paulistanos, até mesmo alguns na cena, assim como do mundo da arte estrangeira, está começando a abraçar a prática da pichação. Uma prova disso é que pichadores foram convidados para participar da Bienal de Arte Contemporânea de Berlim na Alemanha.

 

Isso é demais para Luiz Henrique Salles Vale, 40 anos, um limpador de carros que costumava ganhar cerca de 40 reais por dia limpando paredes pichadas. Ele disse que ficava atormentado quando rabiscavam uma parede assim que ele a limpava. Ele odiava o seu trabalho.

 

“Era como um produto de limpeza da sua bagunça, eu me sentia horrível.” ele disse.

 

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“We take our risks to remind society that this city is a visual aggression to begin with, and hostile to anyone who is not rich,” said Djan Ivson Silva, a pichação graffiti gang leader.

Myrna Domit contribuiu com a reportagem.

Lendas da Pixação – Profecia (Guto)

Lendas da Pixação – Exorcity (MN)

 

A falta das pernas nunca foi problema para MN. Representa sua família EXORCITY por onde passa: “Se não fosse a pixação eu não estava vivo. Quem gosta vai até o final” – conta. Original de Osasco, MN é mais do que uma lenda da pixação, um exemplo de vida!

 

 

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