Nuno DV

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Com mais de 20 anos dentro do movimento, Nuno no entanto se diz mais ativo que nunca. ” Sou um cara com 30 anos com cara de 25, corpo de 20, disposição de 15, sonhos de 10 e alegria de 5″ brinca.

Impulsionado nos tempos de escola a pixar com outros garotos, Nuno conquistou seu espaço nas ruas com muita dedicação ao xarpi e respeito a todos. “Acredite se quiser, o Xarpi me trouxe coisas boas e oportunidades. Convite pra festas e mulheres que saiam comigo por eu ser o Nuno. Eu aproveitava bem isso. Acho que pra elas era uma espécie de status. Eu só queria cama mesmo, um usava o outro e no final dava tudo certo”. – explana.

Hoje envolvido com outros projetos, Nuno não deixou sua essência se perder. “Hoje pixo por prazer. Já perdi e ganhei tudo que essa vida pode oferecer pra um pixador. Uso hoje a pixação como uma ferramenta de desestresse, uma terapia. Antigamente era uma parada de auto-afirmação, um moleque tentando ser homem. Hoje é satisfação pessoal, um homem tentando ser moleque de novo.”
Dentro do movimento, Nuno acha que mais do que destaque e muita disposição um escritor tem que manter seus ideais e sua humildade. “Em 1° Humildade, em 2° Humildade e em 3° lugar mais humildade. Sem isso pode ser o maior pixador ou grafiteiro que não vai arrumar nada! Tem gente que vai numa reunião e não quer assinar cadernos ou black book. Acho isso palhaçada pois um pixador pixa pra outro ver. Se tratar mal quem curte teu trabalho, é melhor desistir. Por isso humildade é a chave.”

Quando o assunto é graffiti, Nuno tem sua opnião. “Bomb sem autorização é o mesmo que pichar uma tag ou fazer um pixo reto. É por adrenalina. A maioria dos grafiteiros de verdade vieram da pichação, raros são os que vieram de outros meios.” explica de maneira clara.

Visto em milhares de lugares da cidade, Nuno conta ainda como o xarpi influenciou e ainda influencia sua vida: “É foda! Quem estuda, acaba tendo falta de concentração. Quem trabalha cedo, acaba tendo atrasos no horário. Quem trabalha com força física, fica cansado, o rendimento cai. Quem trabalha com atenção, perde reflexos. É complicado. Mas isso é de cada um. Cada um sabe a peso da cruz que pode carregar. Não ganhei nada de valor material além de um belo processo e uma ficha suja por dano ao patrimônio privado. Ja as coisas que o xarpi trazem de valor pessoal são satisfação, moral na rua, conhecimento de locais, malÍcia, vivência. Isso não se aprende em cursinho nenhum, só na rua mesmo, praticando.”

Fotos: Nuno DV e Xarpi Carioca

Entrevista: Subsolo Art