Niggaz – Baú do Graffiti

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Nascido no bairro Jardim Eliana no Grajaú, extremo sul da cidade de São Paulo, Alexandre Luis da Hora Silva ou “Niggaz” como era conhecido, partiu desse plano precocemente aos 21 anos, em 29 de abril de 2003, deixando uma obra que marcou o seu tempo. Com poucos recursos e incentivos mas um talento imensurável, Niggaz influenciou e influencia gerações até hoje. Tido por seus contemporâneos como um visionário, foi um dos primeiros grafiteiros a cruzar a fronteira entre periferia e centro.

Numa época em que o Beco do Aprendiz despontava como um importante núcleo da arte de rua em São Paulo, o graffiti surgiu para Niggaz e seus amigos do Grajaú como instrumento de reconhecimento e também um caminho para bairros distantes e até então inacessíveis como a Vila Madalena, onde lugares como Beco do Batman e galerias surgiam pouco a pouco.

Durante toda a sua infância foram os quadrinhos e os desenhos animados da TV que lhe forneceram o repertório para seus personagens. Seu amigo, o também grafiteiro Jerry Batista, pontua que a característica mais marcante de Niggaz era a produção de uma arte autêntica, feita com simplicidade e escassez do material. Eles foram colegas de bairro e se conheceram em 1996: “Desde o dia em que o conheci, ele já tinha um estilo próprio, muito brasileiro”, lembrou o artista.

Na mesma linha, o grafiteiro Enivo afirma que Niggaz chamou atenção por realizar, sem recursos financeiros ou incentivos, técnicas elaboradas de desenho: “Com muita simplicidade, ele atingia níveis muito avançados. E com pouco tempo para fazer porque, muitas vezes, os grafites eram ilegais. Mas com uma tinta marrom e preta, ele já dominava como ninguém a técnica”, analisou.

Ele recorda que a temática do trabalho do amigo refletia a vivência local e retratava, em geral, a população negra: “Os brasileiros conseguiam olhar para o desenho dele e se enxergar nele. Eu acho que essa é a parte mais importante da contribuição dele para o movimento. Eu diria que o desenho ficou mais fácil com o estilo dele”, disse Jerry.

Por mais de 10 anos foram realizados encontros anuais de artistas em prol da memória de Niggaz. O encontro acontecia no Grajaú e contou com a participação de aproximadamente 1000 artistas do Brasil e do mundo. Hoje, seu nome batiza a Praça do Niggaz da Hora, na rua Belmiro Braga em Pinheiros, onde também está um painel assinado pelo grafiteiro.

Parte dos depoimentos é retirado da publicação de Rute Pina para o “Brasil de Fato” (2017).