Mário Cravo Neto

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Ao observar algumas fotografias de Mario Cravo Neto (pelo menos as mais conhecidas) é possível se imaginar dentro do cenário de filmes como “Cidade de Deus” ou “Amarelo Manga”. Rostos, galinhas, patos, movimentos, tudo em cores vivas. Não é à toa. O fotógrafo dedicou boa parte da sua vida clicando pessoas, ritos religiosos e cenários da sua terra natal, a multicultural e espiritual Bahia. Com a maior concentração de igrejas por habitante, Salvador (que já foi também a capital do país em tempos coloniais), é um epicentro de etnicidades que Mário, soube captar e mais do que isso, viveu essa espiritualidade e sensibilidade durante anos de sua vida.

“São imagens codificadas. Elas não são o olhar de alguém que achou aquilo exótico, elas são o trabalho de alguém que está praticando sua espiritualidade através de imagens. Esta é a diferença. “

Mas nem sempre foi assim. Filho do renomado escultor Mario Cravo Filho, o fotógrafo mudou-se aos 17 anos para Berlim com o pai (que participava do programa “Artists in Residence”) e acabou tomando gosto pela escultura e fotografia. Se aproximou de artistas como o italiano Emilio Vedova e Max Jacobs durante esse período e dois anos mais tarde, quando voltou ao Brasil, foi premiado na Primeira Bienal de Artes Plásticas da Bahia e também realizou sua primeira exposição individual.

No entanto suas andanças não parariam por ai. Em 1968 embarcaria para Nova Iorque para estudar na Art Student League sob a orientação do artista Jack Krueger. É nessa época que produziu uma série de fotografias em cores intitulada “On the Subway” e suas primeiras esculturas de acrílico. Em 1970 retornaria ao Brasil e cinco anos depois passaria por um dos momentos mais delicados de sua vida. Envolvido em um acidente de carro, Mario foi forçado a permanecer com ambas as pernas imóveis durante um ano. É nesse tempo que o artista trabalhou em maquetes de seus projetos tridimensionais e se dedicou a estudar o retrato em estúdio.

De repercussão internacional, a obra de Mário Cravo deixou um legado imensurável para a fotografia. Vítima de câncer de pele em 2009, o fotógrafo aclamado pela crítica publicou, entre outros, os livros Ex-votos (1986), Salvador (1999), Laróyè (2000), The Eternal Now (2002), Na terra sob meus pés (2003) e O tigre do Dahomey – A serpente de Whydah (2004). Recebeu o Prêmio Nacional de Fotografia da Funarte, em 1996, o Price Waterhouse, no Panorama da Arte Brasileira do MAM em 1997  e o prêmio de melhor fotógrafo do ano da Associação Paulista dos Críticos de Arte por três anos. “Apesar de ser um homem branco envolvido em algo cujas raízes residem lá nas tradições africanas, não há desapego. Ele está completamente inserido naquilo que produz” resume Gabriela Salgado sobre a trajetória de Cravo.