Kings of Graffiti: Loomit

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Loomit e Chintz tem muitas coisas em comum. Alemães de nascença, ambos trilharam caminhos parecidos dentro do graffiti. Aclamados no velho mundo, foram responsáveis por influenciar toda uma geração de escritores. “A irmã de um colega da escola que tinha feito intercâmbio em Nova Iorque trouxe a notícia do graffiti aos meus ouvidos pela primeira vez” conta Loomit. Pertencente as crews FBI, UA e FX, o escritor começou sua trajetória em 1983 e a criação de seu codinome de rua teve um fato curioso: “Comecei a escrever Loomit depois de um personagem de um filme que se chamava Loomis. Era um filme preto e branco de 1962 chamado Niágara. Não conseguia encaixar um S legal no final e então escolhi a próxima letra do alfabeto, a letra T” conta o escritor de Munique.

Além de ser um dos precursores da arte de rua germânica, Loomit entraria para a história por feitos grandiosos também. Dois anos após seu ínicio no graffiti, pintaria junto de seis amigos e sob o pseudônimo de Cryptic2 (seu nome de rua antes de Loomit)  o primeiro Whole Train noticiado na Alemanha. Tal fato foi consumado no modelo Geltendorfer do sistema alemão S-Bahn em 1985 e amplamente divulgado em meios de comunicação. Era o começo de uma nova era do graffiti no país e também, se assim pode-se dizer, na Europa. Outra produção que lhe renderia notoriedade seria a empena de um prédio feito junto a Darco , DAIM , Hesh e outros escritores em Lohbrugge, distrito de Hamburgo. Tal arte na lateral de um edifício rendeu a Loomit o prêmio do Guinness Book em 1995 como o maior graffiti do mundo, com aproximadamente 300m2.

 

Modelo Geltendorfer pintado por Loomit e seus amigos em 1985.

Sobre suas influências no início de tudo, o escritor explana: “Quando comecei não havia ninguém além de mim e a cena como conhecemos hoje começou a se formar lá para o final de 1984, em Munique. Eu era feliz por encontrar pessoas que tinham o mesmo interesse que eu tinha, mesmo que não estivessem ativas. O graffiti começou pequeno e cresceu para esse grande movimento. Tive a felicidade de vivenciar todo esse caminho”.

Seu estilo, quase sempre envolvendo letras 3D, sofreu influência de escritores da época em que Loomit começou no graffiti. “Desenvolvi meu estilo viajando e exercitar foi o grande combustível para isso. Depois que meus parceiros de crew me mostrarem ilustrações digitais no começo dos anos 90 e vendo os primeiros pieces do Delta e do Daim, eu dei um passo em direção ao 3D”.

 

Loomit, Roscoe, Roy, Zip, Blash e Don M. Zaza na S-Bahnhof Turkenfeld.

 

Em andanças pelo mundo Loomit esteve também em terras brasileiras. Aqui realizou murais ao lado de nomes como Ise, Vitché, Osgemeos e Speto na década de 90. O mais famoso deles, e ainda de pé, esta localizado na Avenida 23 de maio na cidade de São Paulo. No Rio de Janeiro, Loomit pintou na rua e também em algumas favelas. “Entrei na favela e as pessoas que moram lá, colegas escritores também, me apresentaram para o chefe do morro: ‘Este é o famoso grafiteiro da Alemanha!’ Um deles, com a metralhadora no ombro sorriu e disse: ‘Você pode pintar tudo aqui. Se precisar de comida ou drogas me avise’. Um dos rapazes veio até mim em um determinado momento e me perguntou se eu poderia pintar uma granda de mão” conta o escritor sobre sua experiência em terras cariocas. Em tempos atuais participou do projeto intulado “Whole Train Project” e também pôde pintar trens, dessa vez de maneira legal, do sistema metroviário nordestino.

 

Mural de Loomit feito com os escritores Vitché, Codeak, Daim, Hebert e Osgemeos : sobreviventes ao Cidade Linda e às ações do prefeito Dória.

 

Pai de dois filhos, Matthias Köhler está atualmente distante do vandalismo que praticou durante anos mas nunca deixou de trabalhar com o graffiti e expor suas telas mundo a fora. ‘Sou pai agora, então penso primeiro nisso. Mas certamente enxergo o reconhecimento que as pessoas tem comigo e sou muito grato por isso” finaliza.