Letizia Battaglia, a Itália e a máfia

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Desde 1971, quando começou a fotografar, a obra de Letizia Battaglia permanece estritamente ligada à cidade de Palermo. Como editora de fotografia do cotidiano L’Ora, a partir de 1974, documentou os conflitos que abalaram a cidade, especialmente nas décadas de 1970 e 1980, na época mais violenta da “guerra da Máfia”. São imagens extremamente intensas, amiúde brutais, sem dúvida entre as suas fotografias mais conhecidas. Mas Battaglia documentou também a vida dos bairros pobres de Palermo, os movimentos políticos, o despertar de novos comportamentos sociais, produzindo imagens que se tornaram icônicas. Sempre encarou a fotografia como instrumento de intervenção e de denúncia social; a isso se une uma extraordinária força expressiva e um apuro formal, que marcam suas fotos com uma assinatura inconfundível e a tornaram um dos nomes mais importantes da fotografia europeia de sua geração.

Em 1985, quando recebeu o prêmio W. Eugene Smith for Humanistic Photography, estava engajada nos protestos contra a máfia e seus conluios com o poder público, conhecidos como “primavera de Palermo”. No mesmo ano, tornou-se secretária de cultura pelo Partido Verde. Nessa função, que exerceu até 1991, teve um papel importante na recuperação do centro histórico de Palermo. Nos anos seguintes, retomou a fotografia, foi deputada da Assembleia Regional da Sicília e se dedicou à edição, publicando as revistas Grandevú (uma fanzine que teve um papel importante para os movimentos sicilianos de contracultura) e Mezzocielo (dedicada exclusivamente a obras e textos de mulheres), além de criar a editora Edizioni della Battaglia, centrada em poesia, literatura, ensaios de sociologia e política ligados à região siciliana

 

Texto por: IMS