Kings of Graffiti – Daze

Original do Brooklyn, Daze mudou-se ainda criança para o Bronx, famoso bairro periférico de Nova Iorque onde foi criado um dos mais importantes movimento culturais do Século 20: o hip-hop. Foi em 1977, no final do ano em que ingressou na Escola de Arte e Design, que Daze se arriscou pela primeira vez nos famosos yards do MTA: “Eu sempre observei os trens, antes mesmo de imaginar pintá-los. Sempre me perguntava: Como ele chegou lá? Quem pintou isso? Eu lembro de ter visto o famoso wholecar do Blade com as dançarinas e pensado: Caramba! Como é que esses caras fazem isso?” – conta Daze.

Quando perguntado sobre a origem do nome, Daze explica: “Eu tive uma série de nomes. Alguns deles inclusive outros escritores já tinham usado. Nessa época comecei a pensar melhor e estudar letras que eu tinha mais estilo e facilidade, foi quando surgiu pela primeira vez “Daze”. Foi todo um processo. Me parece que isso se perdeu nos escritores de hoje, os caras escolhem um nome e começam a escrever sem dar muita atenção a ele. Eu sempre achei que a originalidade começa com a escolha do seu nome/marca, depois o estilo, e por ai vai…” – explica Daze.

daze_13Daze em 1982 por Henry Chalfant

Em sua primeira aventura, Daze conta em detalhes a frustada tentativa de pintar a linha “D” do Metropolitan Transportation Authority: “Estava com DEA2. Ele disse que conhecia bem o Yard 4, senti que poderia confiar mas me enganei. Estávamos no auge do inverno nova-iorquino, eu tentei fazer uma “peça” mas o frio era tão grande que as minhas tintas congelaram! Na sequência fomos cercados por arruaceiros e policiais. Lembro que na fuga meu casaco ficou preso na cerca e rasgou-se por inteiro. Conseguimos escapar. Isso não me fez parar, pelo contrário, eu tinha de um vez por todas começado minha carreira como escritor, eu estava dentro!” – conta Daze.

Um dos integrantes e fundadores da respeitada crew CYA(Crazy Young Artists), Daze participou de outras tantas como BYB, TDS, ROC, TNT, CIA e TFP. Parou de pintar em 1984, quase 8 anos depois de ter pintado seu primeiro graffiti: “Naquela época eu realmente não estava gostando da direção que estava seguindo. Mal sabia que toda a cena estava evoluindo para algo maior. Eu queria também me concentrar em pintar telas/canvas… Senti que já tinha feito praticamente tudo que eu queria no graffiti.” – explica Daze.