Entrevista – SOON (EXCLUSIVO)

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Com sua mistura de personagens e letras, Soon se tornou um dos mais influentes e atuantes escritores de Salvador, capital do estado da Bahia. Em entrevista exclusiva ao Beside Colors, o escritor baiano conta um pouco da sua trajetória, suas experiências na rua e influências fora dela.

01 – Primeira pergunta, a clássica: porque o apelido “SOON”?
Eu tinha um projeto de animação com um throw up e personagem. Fiz várias combinações, SOON me pareceu a mais legal!

02 – Quem e o que te inspira?
Tem vários caras que me inspiraram a pintar desde o início até aqui, mas minha fonte de inspiração é minha paixão por arte de rua e toda uma vivência com um material gráfico e artístico que eu tive durante toda minha infância até os dias de hoje!

03 – Como é a cena do graffiti na Bahia?
O graffiti aqui e dividido entre antes e depois do projeto da Prefeitura “SALVADOR GRAFITA”. Até antes de 2005 o graffiti e a pixação ocupavam as ruas, existia uma cena real de graffiti na cidade. Muita gente pintando, muitos caras bons fazendo coisas reais nas ruas, mais depois do projeto toda a cena ficou superficial, o graffiti ganhou uma aceitação enquanto o projeto durou, mais a qualidade e a quantidade do graffiti na rua caiu muito.

04 – Qual a relação (e aceitação) das pessoas com o graffiti ai na Bahia?
Então, em 2005 o prefeito João Henrique determinou à Limpurb (Departamento de Limpeza Urbana) a identificar os pixadores com o objetivo de transformar a pixação em “arte, emprego e inclusão social” inserindo os pixadores na limpeza da cidade, mas no bolo foi muito mais graffiteiros que pixadores, então o graffiti na cidade que até antes de 2005 era marginalizado foi mais aceito pela população e autoridades. Agora na gestão do novo prefeito as coisas estão mais difíceis. Ele declarou uma guerra contra a pixação, com isso tudo que é feito na rua de maneira ilegal está sendo fortemente reprimido.

05 – Você já esteve em São Paulo antes. Como foi sua experiência na capital paulistana?

Isso, o “bagulho” em São Paulo é louco, graffiti e pixação por toda parte! Nós passávamos por uma parede pela manhã, a noite já estava pintada, em salvador nós namoramos uma parede por meses até ter tempo pra pintar. Foi uma experiência louca, momentos incríveis com uma galera foda!

Passagem por São Paulo em 2016.


06 – Seguindo a mesma linha da pergunta anterior. Para você qual a maior diferença de São Paulo para a Bahia, no que diz respeito ao graffiti?

Cara! Tipo… A ocupação da rua seria a principal diferença, poucos escritores aqui tão dispostos a “guerrear” nas ruas.

07 – Tem acompanhado o que está acontecendo com São Paulo nos últimos meses? O que acha da guerra declarada do prefeito contra os pixadores e grafiteiros da cidade?
Lamentável né cara, uma cidade com tantos problemas para ser resolvido, o cara declara uma guerra… Babaca! Contra graffiti e pixação, sei que em gestões anteriores já tinha a limpeza de graffiti na cidade, mas esse “bafo” está desgovernado.

08 – E na Bahia, como é a lei em relação ao graffiti e a pixação? Já teve problemas com a justiça?
Fui na delegacia uma única vez, já fui roubado por policiais, já tomei uns tapas uma outra vez mas na maioria das vezes nós sempre ganhamos uma fuga ou conseguimos desenrolar um papo, o “Ise” disse esses dias em um post “Graffiti não é só saber pintar tem que saber explicar o conceito também”.

09 – Você tem alguns projetos paralelos de ilustração e design. Conte mais sobre alguns deles.
Em Salvador a maioria me conhece como CORE ou COREXPLOSION com esse tag eu assino a maioria dos meus trampos de edição de vídeo, design, zines e art.

10 – Espaço livre para falar o que quiser.
É nois!

anos!