ENTREVISTA – SNIF ORC

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Em mais uma entrevista exclusiva, Snif conta ao Beside Colors um pouco da sua trajetória nas ferrovias brasileiras. São muitas experiências boas e outras nem tanto de um escritor que dedicou mais de 15 anos ao graffiti e sua essência.

01 – Qual foi a primeira vez que você ouviu falar em graffiti? Já tinha idéia do que ele poderia representar na sua vida?
Um amigo na escola me mostrou uma revista de graffiti, a “FIZ”, em 1997/1998. Eu também ficava “lendo” pixações em 1999, nessa época eu já fazia alguns “riscos” nas ruas, mas não tinha idéia do que viveria pelo graffiti.

02 – Qual a origem do nome Snif?
Tirei o nome dos gibis, “Snif” é uma figura de linguagem, uma onomatopéia.

03 – Qual a aceitação da sua família em relação ao graffiti?
Quando comecei meus pais odiavam, foram aceitando com o tempo, chegaram a me perguntar se eu não podia parar porque iriam me bater, sofri ameaças… Hoje em dia vivo com meus filhos e quando possível os levo comigo para pintar e mostrar um pouco da cultura.

04 – Muitos escritores se abdicam de pintar nas ruas para pintar nas linhas ferroviárias e metroviárias. Como e quando foi que se interessou por trens?
Em 1999. Uma vez depois da escola fui andar de trem com um amigo o “GEG” que já era writer, nesse dia algo me disse que era isso que eu queria fazer! Pular estações, andar em modelos de trens diferentes, controlar pátios e faróis…E é claro pintar e fazer fotografia.

05 – Quem ou o que te inspira?
Videos como “Style Wars”, “Dirt Hands”, fotografias, andar na ferrovia e a amizade com minha crew ORC.

06 – Fugas, obstáculos e empecilhos fazem parte de quem se arrisca pintando trens. Conte pra gente uma história marcante em todos esses anos de caminhada.
Difícil são tantas (risos). Em 2015 fui pintar um trem sozinho no Rio de Janeiro, cheguei no yard ao amanhecer. Assim que clareou escolhi um lugar que desse uma boa fotografia e que ficasse em um ponto sem muita visibilidade enquanto pintava. De repente aparece um maquinista para “pegar” o trem ao lado, fiquei escondido com as latas torcendo para não ser visto pois não queria abandonar a peça. Acreditei e esperei o maquinista pegar o trem dele e voltei pro meu, estava pintando quando um trem passou e me viram fazendo, desta vez não parei, terminei tirei a foto e sai!

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Snif em mais uma de suas aventuras por entre trilhos


07 – Já pensou em parar de pintar algum dia? Se sim, porque?
Não penso em parar.

08 – Os minutos que antecedem uma ação são sempre tão importantes quanto ela propriamente. O que faz para manter o foco quando a adrenalina toma conta da situação?
Na linha estou sempre esperando imprevistos, fico olhando para os lados e ouvindo tudo com atenção, é como um jogo de xadrez. A tinta me acalma assim que toca a superfície do trem.

09 – Se arrepende de algo que fez ou queria ter feito no graffiti?
Das peças que fiz com pressa e sobrou tempo.

10 – Espaço livre para falar o que quiser.
Graffiti no meu ponto de vista não é uma pintura bonita feita por designers ou estudantes das faculdades caras.