ENTREVISTA – SIAL(PLUS)

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Entre latas de látex espalhadas pelo quintal, medalhas de Taekwondo penduradas na parede e inúmeros porta retratos de família, nota-se na casa de Cial um recorte de jornal que traduz seu amor pelo graffiti melhor que qualquer depoimento. A manchete em negrito diz “Cruzou três estações de Metrô, pelos trilhos, fugindo dos policiais”. Ao olhos comuns pode parecer uma notícia típica de uma fuga entre “carabineiros” e foras da lei. Não que esteja muito longe disso. Cial fugiu três estações correndo para despistar os guardas depois de pintar o sistema metroviário chileno. Livrou a pele dos amigos e apresentou-se a justiça literalmente no banco dos réus. Atos como esse traduzem a proximidade entre muitas crews chilenas e amizade acima de tudo. Pertencente a PLUS, uma das crews mais atuantes de Valparaíso, cidade portuária conhecida pelos seus morros e casas coloridas, Cial conta ao BC a histórica corrida a la “Usain Bolt” por mais de 3km, seu início nas ruas e suas influências dentro do movimento. Muito pisco, reggaeton e fiesta!

Vulgo: Sial/Cial

Crew: Plus (Valpaíso/Chile)

01 – O que significa “Sial”?
Eu e minha ex-namorada sempre quisemos ter um filho juntos. O nome “Sial” foi a junção de duas sílabas dos nossos apelidos (“Si” + “Al”). Queríamos que ele virasse um escritor no futuro e continuasse pintando com o mesmo nome.

 

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Anos 90 em Valparaíso: Tinta e muito Pisco (bebida tipicamente chilena)

 

02 – Há quanto tempo pinta? Como se interessou por graffiti?
Começou com um vizinho que ouvia hip-hop e também pintava. Ele era mais velho e me chamou a atenção por ser um garoto muito tranquilo. Nas festas típicas que aconteciam em Valparaíso, cidade onde nasci, conheci alguns amigos dele de Santiago. Mais tarde fui morar na Vila Olímpica por causa do Taekwondo. Foi naquela época que conheci melhor alguns escritores da capital. Com eles descobri meu gosto por trens e adrenalina. Hoje em dia tenho muito respeito pelo XPLO e os Aislap. Com o tempo me aproximei também de “Paja”, “Juanito” e “Conde”, esse último com quem tive uma amizade maior e com o qual pintei mais vezes. Creio que éramos os que tinham mais tempo livre…(risos).

03 – Quando jovem você foi considerado uma das grandes promessas do Taekwondo chileno. O que aconteceu com sua carreira como atleta?
Meu sonho era viver do Taekwondo mas eu sabia que era impossível no Chile. Os atletas não tem apoio suficiente e os dirigentes desviam muito dinheiro destinado ao esporte. Me desmotivei muito. Foi quando me concentrei no graffiti. Mas como diz um grande amigo meu venezuelano: “Graffiti acabou com a minha vida” (risos).

04 – O que o esporte te ajudou/ajuda no graffiti?
Na disciplina e condicionamento físico.

05 – De um tempo pra cá a polícia de Valparaíso fechou o cerco quando o assunto é graffiti, mas surpreendentemente a cidade continua inteira pintada. Alguma coisa mudou na ação e atitude de vocês pintando?
Quando eu comecei a pintar era muito mais fácil. Era só colocar minhas tintas no chão, como se fosse um graffiti autorizado pelo dono e pronto… Muito parecido com Santiago, mas como “Valpo” tinha pouco graffiti e os policias ainda eram inexperientes no assunto, um pouco de cor já bastava para “passarmos batido” pintando. Com o tempo a coisa mudou. Um escritor novo daqui já sabe todos os fundamentos antes de começar a pintar a cidade. A polícia só funciona até as 2 da manhã, depois disso as ruas estão livres… E se estiver bêbado ela é toda sua! (risos). Claro que sempre existem as exceções, muitos são capturados porque pintam antes das 2 ou porque andam muito bêbados. No que diz respeito a atitude temos muitos exemplos de garotos que continuam pintando ruas e trens, porque há muito graffiti em Valpo e Valpo é “espeCIAL” (risos). A nova escola está muito pesada!

06 – Você virou notícia no país inteiro quando correu da polícia por impressionantes 3 estações de metrô. Em que momento percebeu que não poderia mais escapar? Tinha um plano de fuga ou apenas correu?
Sim, óbvio. Me vi rodeado de patrulhas policiais, só se escutavam os barulhos dos motores “fum rummm”, freadas e gritos dizendo “Está aqui, está ali… Lá vai um” (risos). Foi muito chocante! Nessas horas não se dever pensar somente em si. Achei que era melhor que capturassem apenas um do que os 5. Creio que o Taekwondo me ensinou a ter a mente fria, onde é preciso se arriscar muito em um movimento. Precisava correr e vencê-los fisicamente. Enquanto corria observava onde poderia pular… Em uma árvore, algum ônibus ou algo mais perto que a rua mesmo, já que todas as estações eram bem altas(suspensas). Passei pela primeira estação e já tinham policiais e guardas do metrô me esperando. Na segunda alguns já corriam ao meu lado… Eu nos trilhos e eles nas plataformas. Na terceira os policiais estavam nas estações e também nos trilhos. Como tinham vantagem dos que me seguiam, comecei a imaginar alguma história… Já estava com medo e suando muito (risos). Guardei o chip da minha câmera em um compartimento secreto do meu tênis e deixei na memória dela algumas fotos turísticas, câmera essa que inclusive era emprestada, uma Canon muito cara! Os guardas me alcançaram e pegaram a câmera. Pisaram e deram tapas na minha cara. Eram muitos policiais pois envolviam 3 estações e dois 2 distritos de Santiago. Eu falei para a polícia que era fotógrafo e eles me me trataram melhor, isso até verem o vídeo da câmera de segurança, o resto vocês já imaginam…

 

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Reportagem retirada do jornal chileno “El Dia”

 

07 – Em todos esses anos pintando trens e metrôs, você com certeza viveu muitas histórias boas e outras ruins. Conte pra uma pra gente uma que te marcou.
“Ufff” várias! Não saberia falar qual pois todas são especiais, mas creio que a do metrô de Santiago é uma das melhores junto com a de San Fernando. Estava com mais 2 companheiros de crew, o TMBK(Temblekes) e SAT(Somos Anormales Temblekes), terminando de pintar um trem quando um guarda aparece na nossa frente, e como havia chovido e os trilhos estavam molhados ele acabou escorregando. De arma em punho ele nos aponta e quando menos espero um de meus amigos arranca e dispara um mini extintor contra o guarda. Aparecem outros tantos policiais. Para escapar tivemos que dormir entre as rodas cheias de graxa de uma caminhão, morrendo de frio… Isso me ensinou que devemos saber muito bem com quem formamos uma crew e com quem pintamos. Por isso sempre levo em consideração primeiro a pessoa e depois sua tag.

08 – Quais são suas referências no graffiti?
Quando comecei Cekis era para mim o Papa do Graffiti/Bomb. FRS, XPLO, Aislap, Los Toko e muitos outros, mas sempre aprendendo com todos.

09 – E fora dele?
Luig, todos os 21 da PLUS e o Bokisucio.

10 – O que a PLUS representa para você?
Os 21 fantásticos!

11 – Atualmente, muitos escritores jovens tem movimentado o cenário do graffiti chileno, alguns com apenas 15 ou 16 anos. Qual a sua relação com a nova escola?
Acredito que os da nova escola estão bem pesados! Me dou bem com todos e os que tem algum problema é porque ele tem comigo (risos). Em todos esses anos não tive problemas com ninguém.

12 – Espaço livre para falar o que quiser.
Se você quer vídeos sem Reggaeton faça seus próprios vídeos com a “porra” da música que caiba na sua bunda.

 

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PLUS Crew: “Los 21 Fantásticos”

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01 – ¿Qué significa “Sial”?
Era por que tenia una novia y siempre quise tener un hijo con ella y quería tener un nombre el cual el lo heredara con el tiempo si en algún momento le gustara el graffiti y así siguiera con el nombre con el tiempo y que era una silaba de cada apellido de cada uno “Si” y “Al”.

02 – ¿Cuánto tiempo pintar? Como se interesó en el graffiti?
Empezó por un vecino el cual escuchaba hip-hop y también el rayaba y me llamo la atención ya que era un chico tranquilo era unos años mayor que yo y así me meti en el mundo del hip-hop. Los rayados primero luego pase a conocer a algunos amigos de el de Santiago los cuales los conocí por las fiestas típico de Valpo! Y se formo buena amistad ya que yo también después al tiempo me fui a vivir a Santiago por el Taekwondo ya que era seleccionado chileno y vivía en la Villa Olímpica y resulto ser que los chicos que conocí eran unos capos de la pintura y me enseñaron mucho del graffiti y también descubrí el gustito por los trenes y la adrenalina. Hasta el día de hoy mucho respeto para ellos que era los XPLO y mas adelante a los Aislap en su tiempo me juntaba con el Paja, Juanito y el Conde que fue con el quien mas hice amistad y pintamos varias veces creo que era el que tenia mas tiempo libre (risas) y  ya gracias a ellos me motive mas y hasta el dia de hoy ya llevo como unos 10 o mas no recuerdo bien…

03 – Como un hombre joven que se consideraron una de las grandes promesas del Taekwondo chileno. ¿Qué pasó con su carrera como atleta?
Bueno mi sueño era vivir del deporte que ya sabia que era imposible hacerlo en Chile pero siempre  hay  que intentarlo bueno y no había suficiente apoyo muchos robos de dinero de los dirigentes el cual me desmotivaron y me fui mas en el lado de la pintura y la adrenalina  como dice un gran amigo venezolano por ahí el “Graffiti jodió mi vida.” (risas)

04 – Lo que el deporte le ayudó a / Ayuda en el graffiti?
En la disciplina y en la condición física.

05 – A partir de un momento hasta aquí en la policía de Valparaíso terminó el asedio a la hora de graffiti, pero, sorprendentemente, la ciudad sigue toda pintada. Algo ha cambiado en la acción y la actitud de que la pintura?
Bueno cuando yo empece a pintar era muy fácil solo era cosa de ponerse donde uno quisiera y poner todo en el suelo como si fueras “legal” y nada pasaba así lo hacia. Era muy similar a lo que se hacia en Santiago como en Valpo era poquísimo lo que se veía de graffiti en las calles lo que había era gente de otros lados y con la policía no pasaba nada ya que son unos amateur en el tema graffiti (risas) un poco de color y bastaba para pasar piola. Ahora con el tiempo cambio la cosa  “dicen” lo que paso es que el graffiti creció mucho en Valpo ahora un chico que inicia ya sabe todo lo fundamental antes de ponerse a pintar como ya a evolucionado tanto el graffiti en Valpo y la internet y ademas la policía solo funciona hasta las 2 de la mañana de ahi en adelante es chipe libre en las calles mas si andas en alcohol es todo tuyo (risas) claro siempre hay excepciones en las cuales pillan a muchos o es porque pintan antes de las dos o bien andan muy borrachos. En actitud ya tienen ejemplos para seguir ya hay chicos que empiezan pintando la calle y trenes por que ya saben que se pintan y hay mas actitud por que ya hay mucho graffiti en Valpo y Valpo es “espeCIAL” (risas) y la nueva escuela esta bien cabrona!

06 – Usted fue noticia en todo el país cuando la policía corrieron por impresionantes 3 estaciones de metro. En ese momento se dio cuenta de que no podía escapar? Yo tenía un plan de escape o simplemente ir?
Si obvio me vi rodeado de patrullas de policías solo se escuchaban los ruidos de los motores”fum rummm” frenadas y gritos diciendo aquí están, están ahí, allá va uno jaja fue muy “sicosiante  y en el momento no se solo pensé en que era mejor que pillaran a uno que a los 5 eso lo pensé en el momento creo que el Taekwondo hace mente fría también donde se arriesga mucho en un movimiento y va dije a correr y me los llevo total el físico me da y corriendo empece a ver donde podía saltar tirarme a un árbol o no se que se yo saltar a un bus o a algo mas cercano que la calle misma ya que todas las estaciones eran en altura ya pasando la primera estación ya tenia policías y guardias de metro. En la segunda ya corrían al lado mio yo por las vías ellos por los andenes y dije ya me tire(coopere). Y ya llegando a la tercera estación vi a la policías y guardias en los andenes y vías como tenia ventaja de los que me seguían empece a crear alguna historia ya sudando enorme y con miedo (risas) guarde mi memoria en la zapatilla en un escondite secreto y ya deje dos memorias en las cual tenia fotos turísticas  en la cámara que era prestada y era muy cara una Canon. Y llegue me tomaron me pegaron me tiraron al suelo me pisaron la cara me pegaron unos charchazos en el craneo me hice el mareado y ahí se cabrearon de pegarme jaja eran muchos policías ya que al cruzar las 3 estaciones se monto un operativo por que involucro dos comunas de Santiago y ya en comisaria dije que era fotógrafo  y me trataron muy bien hasta el juicio que se dieron cuenta que pinte por los videos de seguridad y ya se sabe el resto…

07 – En todos estos años pintando trenes y metros, ciertamente experimentaron muchas historias buenas y otras malas. Dile a un para nosotros uno que le marcó.
“Ufff”varias no sabría cual elegir todas son especiales para mi pero creo que las del metro de Santiago son las mejores igual una de San Fernando al sur de Santiago también una ves terminando listo para sacar la foto estaba pintando con mi compañero de crew en ese entonces TMBK(Temblekes) y SAT (Somos Anormales Temblekes) y sale el guardia como había garugado los rieles estaban mojados y trato de arrancar y me caigo y el guardia queda de frente a mi yo en el suelo el de pie apuntando con su pistola y mi compañero se devolvió sin pensarlo y le tiro un mini extintor en toda la cara ahi pude pararme y arrancar con mi pana luego llegaron muchos policías y dormimos entremedio de unas ruedas de camión llenos de grasas y “cagaos” de frió eso me enseño que hay que saber bien con quien se es crew no todos se devolverían en una situación por eso hay que saber con quienes pintar por eso siempre veo a la persona primero que lo que pintan(su tag).



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21PLUS e lo Quinto Valpo


08 – ¿Cuáles son sus referencias en el graffiti?

Cuando empece Cekis ara mi el papa del Graffiti/Bomb 78, FRS, XPLO, Aislap, Los Toko y muchos mas siempre aprendiendo de todos.

09 – Y fuera de él?
Luig, 21PLUS, El Bokisucio.

10 – ¿Qué PLUS es para usted?
Los 21 fantásticos!

11 – En la actualidad, muchos escritores jóvenes se han trasladado la escena del graffiti chileno, algunos de tan sólo 15 ó 16 años. ¿Cuál es su relación con la nueva escuela?
Creo que es la mejores tan bien cabrones los de la nueva me llevo bien con todos y el que tenga problemas es por que el los tiene conmigo (risas) en mis años no e tenido problemas con nadie.

12 – Espacio libre para decir lo que quiera.
Si quieren videos sin Reggaeton hagan sus propios vídeos con la puta musica que le caiga en el culo.