ENTREVISTA / INTERVIEW – OJAE (EXCLUSIVO)

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Em parceria com o blog Tags and Throws, Beside Colors lança, em versão bilingue, uma entrevista com o grafiteiro Ojae. Escritor desde a década de 80, Oj conta um pouco de sua relação com Nova Iorque, sua infância pobre, seus parceiros de rolê e a como funciona a cena do graffiti americano.

Read in english right after the portuguese version!

01 – Apesar do nome, somos um veículo de comunicação brasileiro. Como enxerga o Graffiti fora dos EUA? Conhece algo sobre a Pixação ou o Graffiti brasileiro?
Eu não tenho muita familiaridade com a cena do Graffiti no Brasil, mas a cena tem crescido muito no mundo todo, o que é ótimo. O Graffiti se tornou algo mundial, mesmo que ainda seja uma pequena comunidade. Em 1998 eu fui para o Japão, em Okinawa, enquanto estava andando pela cidade e vi alguns nomes pelas ruas como Jis MC, SC KST e MIST OAM. Quando vi isso eu surtei, fiquei penando “Como assim esses caras pintaram aqui?!”.

02 – Qual a origem do nome Ojae?
É bem simples, o vulgo vem do nome das rodas de skate OJ2 Team Riders. Minha primeira paixão foi o skate, então eu puxei daí. Com o passar do tempo o nome se tornou Ojae derivando do original OJ.

03 – No Brasil, pode-se dizer que o Graffiti é algo mais aceito pela sociedade. Sabemos que nos EUA o Graffiti é algo extremamente combatido. Quais são os cuidados que você e seus amigos tem quando vão pintar para não serem surpreendidos por policiais a paisana?
Em Nova Iorque, quem pinta muito também se arrisca muito. Eles pintam com pessoas passando na rua, bebem e vão pintar, realmente forçando seus limites. Particularmente eu prefiro estar sóbrio. Eu estudo os lugares que vou pintar e não costumo arriscar. Quando eu pinto é como um trampo das 9 as 18. Eu lido com isso da mesma forma que lidaria se estivesse em uma guerra no Iraque. Eu não brinco. Pinto já fazem 30 anos e nunca fui pego, planejo continuar assim.

04 – Tomou contato com uma Nova Iorque perigosa quando era adolescente e uma Nova Iorque mudada, relativamente segura, moderna e mais difícil de se pintar na rua. O que a cidade representa para sua vida dentro e fora do Graffiti?
Estão certíssimos sobre a cidade ser mais violenta antes. Eu não considero Nova Iorque mais a mesma. Eu costumava ficar puto com isso, mas aprendi a aceitar, a mudança é inevitável. Essa cidade certamente não me representa mais, mas o Graffiti sempre será grande parte da minha vida. Ele me ajudou a lidar com diversos momentos difíceis no decorrer dos anos. Eu tive uma infância realmente muito difícil.

05 – Desde que começou a pintar você e o Graffiti mudaram bastante. O que sente falta da época em que começou?
Eu sinto falta de como era cada um por si. No final dos anos 80 eu saia pra pintar em um grupo de 10 pessoas. A gente saia que nem loucos pegando todos os muros bons, fazendo tag em tudo. Fazendo barulho pra caralho e arranjando briga. Você não tinha que se preocupar com câmeras ou celulares. Além de tudo isso, pra ser respeitado você tinha que roubar os caps, fazer sua própria tinta e marcadores, e por aí vai. Não existia um mercado pra isso, e era isso que te diferenciava do resto.

06 – No vídeo aparece pintando com Left, um grafiteiro oldschool de Nova Iorque. Em todos estes anos, dentre todos os parceiros que costumava pintar, qual você teve mais afinidade/ entrosamento para sair a rua?
Bom, o Left é um deles, nós pintamos desde 90/91. Mas existem muitos outros parceiros como KAZ FYC, CAMP TFP e o NICEO CM. Continuo tendo contato com a maioria dos que eu sempre pintei junto, mantenho minhas amizades próximas.

07 – No Brasil, apesar de todos os problemas, observa-se uma maior amizade entre escritores, promovendo periódicos entre grafiteiros e pixadores que muitas vezes possuem uma amizade fora das ruas. Nos EUA a impressão de que se tem é que há muitos grupos fechados e que não se interagem. Isso é uma visão verdadeira?
Isso é bem verdade. Quando você está destacado, os toys costumam te atropelar e arrumar tretas para se destacarem. Ou você também arruma treta porque arrumaram alguma com seu amigo. Isso já aconteceu muito comigo.

08 – Quando não está pintando o que costuma fazer? Vive do que?
Bom, eu não sou mais criança, tenho contas para pagar e filhos para criar. Tenho um trabalho puxado para manter minha família. Mas nos últimos anos eu tenho diminuído o ritmo e tentado focar mais em telas e como passar das ruas para o mundo da arte, afinal, estou ficando mais velho.

09 – No Brasil a Pixação eclodiu junto ao movimento do rock e do punk enquanto o Graffiti foi algo sempre atrelado ao rap, um dos pilares do hip hop. Que tipo de som costuma ouvir?
Eu ouço desde Hip Hop, Rock, até música Espanhola, e por aí vai. Tem muito tipo de música por aí para se ficar preso apenas a um deles. Se você faz isso, está perdendo a variedade da vida.

10 – Em todos estes anos já deve ter passado nos trilhos ou nas ruas histórias e aventuras perigosas. Nos conte algumas histórias interessantes que já passou fazendo Graffiti.
Minha vida toda foi uma situação difícil. Eu cresci no sistema de adoção, perdi meus pais para as drogas. Eu apanhava muito quando criança, me trancavam no armário sem comida, situações desse tipo… Foi aí que o Graffiti me ajudou. Ele me tirava dos momentos difíceis, me ajudou muito.

11 – Fora do âmbito do Graffiti e em se tratando de política, o que acha de um presidente como Trump no poder?
Eu não voto. Dito isso, não tenho muito o que comentar. Mas eu realmente espero que ajude a economia, mas ele definitivamente não é o que pode se chamar de presidente.

12 – Espaço para dizer o que quiser aos escritores e leitores brasileiros.
Eu quero mandar um salve a todas as Brasileiras com bunda gigante que tem por aí! Mas falando sério, mantenham o Graffiti vivo, continuem pintando. Obrigado por essa oportunidade. Espero um dia poder pintar por aí. Paz, amor e felicidade.

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OJAE INTERVIEW

01 -Despite of our name, we are a Brazilian Graffiti/News portal. How do you see the Graffiti outside the USA? Do you know something about pixação or our scene down here in Latin America?
Im not familiar with the Graffiti scene in Brazil too much, but Graffiti has grown into international scene which is great. Graffiti has become world wide, yet it’s still such a small community. In 98 I went to Okinawa and when I was walking down the street. I saw Jis MC, SC KST & MIST OAM up. I was bugged out by it. I was like what the fuck. Shit really fucked my head up them being up out there.

02 – Where does Ojae comes from?
Its real simple, the tag came from the skateboard wheels OJ2 Team riders. My first love was skateboarding. So I ran with it. Then with progression, it became Ojae from just Oj.

03 – In Brazil, we can say that the Graffiti itself is more accepted by the public, and we know that in USA it’s heavily condemned by the authorities. What type of precautions do you take when you’re going to paint, regarding undercover cops and stuff like that?
In NYC a lot of people who kill it, take a lot of risks. They bomb in front of people, drink and get fucked before they go paint and really push the limits. My self, I like to be sober. I do my home work on spots I’m going to paint and take no chances. When I paint, that shit is like a 9-5 (job). I treat it like if I’m at war in Iraq. I don’t fuck around. I been painting 30 years and I never got caught, I’m tryna keep it that way.

04 – It’s fair to say that you lived in two different moments of NYC, when you were younger, a more violent one, and a safer one nowadays. What does the city itself represents for your life inside and outside the Graffiti scene?
Your dead on with it being more violent growing up. I don’t consider NYC, NYC anymore. I use to get real mad about it. But I’ve learned to let it go. Change is inevitable. The city now doesn’t represent me at all. It’s not the NYC I grew up in, but Graffiti it self will always be a big part of my life. Graffiti has actually help me get through all my hard time in life. I’ve lived a very fucked up childhood.

05 – Since you started painting, the Graffiti scene and yourself changed a lot. What do you miss from the late 80’s?
I miss the free for all there use to be. In the late 80’s when I was bombing, I would street with 10 dudes. We would all be wild for the night running to catch all the good spots. Making mad noise and all kinds of trouble. You didn’t have to worry about cameras & cell phones. Also in order to be at the top of you game, you had to rack caps, make your own markers and ink and so forth. There was no buying caps and special paint. You had to engineer everything your self. And that’s what separates you from the rest.

06 -In the video you catch a few tags with Left. In all this years, among all the writers that you painted with, name a few that you had more affinity with.
Well, left would be one of them. Him & I been rocking since 1990/91, but also a bunch of others like my main partner KAZ FYC, CAMP TFP and my man NICEO CM. Everyone I fucked with back then I still rock with now mostly. I keep my circle tight.

07 – In Brazil, despite all the problems, we notice that writers are a little bit more friendly towars each other. For us, foreigners, we feel that there’s a lot of beef and rivalry among US writers, closed groups that don’t interact with each others and such. Is this a reality or just na impression?
It’s very much a reality. See when your on top, toys start ragging you to catch quick fame. Or you catch beef by association. I caught mad beef off the strength of who I rolled with.

08 – What do you do when you’re not paint? What do you live from?
Well, Im not a kid any more. I have bills to pay and kids to raise. So I have a demanding job to keep up with and a family to take care of, but I’m the last years I’ve slowed down and put more focus into making paintings and figuring out how to transition out the street into the art world since I’m getting older.

09 – In Brazil, the pixação movement started extremely conected with the Rock and Punk music, while the Graffiti was always more about Hip Hop. What type of musice do you listen to?
I listen to all music from hip hop to rock to Spanish music and so on. There’s too much out there to be stuck on one kind of music. If you only listen to one kind the your missing out on the variety of life.

10 – In all this years you probably lived some difficult situations on the street and train system. Share with us one of these moments.
My whole life was a difficult situation. I grew up in the foster care system, I have no mother or father due to drugs. I was beat all the time as a kid. Starved and locked in closets with out food and other fucked up situations like this. This is where Graffiti played a part in my life. It has helped me escape all that bad stuff. It was my therapy. Graffiti was the biggest thing in my life to get me through my roughest moments.

11 – Regarding politics, what do you think about a president as Trump running the US?
I don’t vote. With that said, I don’t really have much to say. I hope he can do good with the economic part of things, but he definitely is not a presidential person.

12 – There’s something that you want to say for the Brazilian writers/readers?
I wanna shout out all them Brazilian women with them real fat ass’s on them. Oh my lord! But for real, keep the Graffiti movement alive and keep painting. Thank you for this opportunity. Maybe one day I can make it there to paint. Peace, Love & Happiness.