ENTREVISTA – NEVS (EXCLUSIVO)

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Vulgo: Nevs (Tno)
Turma: Linha 163 e Puro Vandalismo (PV)

Integrante das crews Linha 163 e PV, o escritor paulistano da turma NEVS conta em entrevista exclusiva ao Beside Colors sua trajetória dentro do graffiti, seu trabalho com tipografia fora das ruas e sua visão do movimento Hip Hop. Envolvido com a arte urbana desde cedo, o “escritor vagabundo” relembra fatos do graffiti na década de 90 e coleciona histórias marcantes como uma fuga dentro de um cemitério em Buenos Aires.

nevs_16Nação E.V, 1999.

01 – Como surgiu o apelido NEVS?
NEVS surge de uma abreviação Nação Escritores Vagabundos, no inicio era Nação “EV”, Abreviava “N!EV” depois “NEV” por se tratar de uma turma achei mais coerente acrescentar o “S”, daí NEVS.

02 – Porque escolheu fazer graffiti? Ou foi ele que te escolheu?
Em 1998 eu e mais alguns amigos do bairro iniciamos uma turma de “tag”, que até então, por falta de informação, chamávamos de “carioquinha”, depois que fui a uma festa do lançamento de uma revista que circulava na época, a “Fiz – Graffiti Attack”, lembro de ter juntado uma grande quantidade de escritores de rua, conheci um pouco mais o universo do graffiti, já gostava de desenhar, acabei juntando com o que fazia.

03 – Há quanto tempo se considera verdadeiramente um escritor?
Pra mim foi a partir do primeiro contato com o muro, me lembro antes de fazê-lo, havia estudado muito sobre os estilos, onde se encaixavam, o respeito e suas condutas, li muito sobre a cultura Hip-Hop, pois sempre acreditei no fortalecimento do movimento, procurei informações desde a raiz aos dias atuais, acredito que antes do graffiti materializado na parede é importante saber o por que está fazendo e como deve se portar perante aos demais.

04 – Você dedica boa parte do seu tempo no estudo de tipografia e lettering. Quando surgiu o interesse nesse tipo de projeto? Porque essa proximidade sempre com letras, seja no graffiti como nas artes plásticas?
Essa aproximação maior com o estudos de letras deu-se nos últimos 2 anos, quando comecei a trabalhar diretamente com pintura de letras, gosto de saber que ajudo a manter vivo um ofício extinto pela entrada da tecnologia, e que moldado nos tempos modernos, podemos encontrar algo autêntico enraizado em nossa cultura popular.

05 – Em todos esses anos de graffiti muita coisa mudou. O que sente falta de épocas passadas e o que não abriria mão dos dias de hoje ?
Acho que a principal mudança foi a entrada da internet e o avanço da tecnologia, sinto falta de quando não tínhamos, acho que os valores eram outros, me lembro de andar pela cidade de ônibus apenas para observar graffiti, pegar o trem e admirar os graffitis nos muros da CPTM(Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), ou até mesmo pelo simples fato de revelar um filme fotográfico, creio que as dificuldades pela falta foram muito importante pra minha formação, no entanto a internet cresceu muito nos dando a possibilidade de ter a informação mais próxima e rápida e até mesmo as mudanças das condições sócio-econômicas no possibilitaram usufruir de uma parte da tecnologia apresentada.

06 – Acredita no graffiti como forma de protesto?
Acredito que sim, no geral o Hip-Hop surgiu como forma de expressão entre os jovens, passando por várias fases, cada momento é tratado de uma forma, no passado já fiz algo em linha de protesto, retratando alguns problemas sociais, o graffiteiro tem que se sentir a vontade com o que faz, seja explorando a técnica ou passando alguma mensagem.

07 – Quais são suas referências fora do universo do graffiti?
Ultimamente tenho visto muita coisa sobre caligrafia, David Adrian Smith que passa por uma linha vitoriana o artista argentino Alfredo Genovese especialista na técnica do “fileteado portenho”, a dupla peruana de letras populares Carga Máxima e o letrista de embarcações na região do Pará, Luis Junior.

08 – A adrenalina faz parte da vida de qualquer escritor. Como faz pra suprir a falta quando não esta pintando?
Acho que a adrenalina que se sente quando está pintando algo ilegal e insubstituível, não consigo comparar a nada, trata-se de uma identificação com a atmosfera, o risco de sempre ser surpreendido me mantém vivo!

nevs_17B.O. por pintar o Metrô de São Paulo em 2002.

09 – Algumas experiências só são vividas por quem se arrisca pintando trens e metrôs. Conte pra gente alguma experiência diferente em todos esses anos de caminhada.
Acredito que pelo fato de ter vivido varias experiências de risco que passam por fugas, prisões, processos e agressões. O mais inusitado foi uma fuga que ocorreu em Buenos Aires (Argentina) onde corremos pra dentro de um cemitério e fomos perseguidos, me escondi dentro de uma cripta e fiquei por cerca de 2 horas! A todo momento ouvia os rádios comunicadores dos seguranças que vasculhavam o local, sem dúvida foi uma experiência muito diferente.

10 – O que um bom escritor não deve fazer?
Acho que a chave pra ser um bom escritor e ter respeito, não importa se tem o melhor traço ou se e “all city”, pra ser um bom escritor tem que respeitar a velha e a nova escola.

11 – Qual a pior de ser um escritor?
A todo momento estamos sujeitos a uma pior, ser presos, humilhados, agredidos, ou até mesmo mortos, cada escritor assume seu risco o fato e que uns se arriscam mais outros menos, cada cabeça a sua sentença!

12 – Espaço livre para falar o que quiser.
Gostaria de agradecer a equipe do Beside Colors ao espaço cedido, por poder passar um pouco a minha visão sobre o graffiti e compartilhar algumas vivências, agradeço a todos da minha família de rua e da linha PURO VANDALISMO/ SVZ / LINHA163, Nando, Buri, GC, Ateu, Gueto, Dedé, Stile, Caio, Cadu, Bia, Sol, e em especial a minha parceira de caminhada que esta do meu lado em todos os momentos, obrigado por sua companhia Nica.

R.I.P Sine.