ENTREVISTA / INTERVIEW – KLOPS (EXCLUSIVO)

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Junto ao blog sueco Tags and Throws, Beside Colors lança sua segunda entrevista, também em versão bilingue. O nome da vez é KLOPS. Com uma temática que envolve personagens e frases irônicas em seus graffitis, o escritor fã de South Park explica quem são suas principais influências no meio, como escapou da polícia e diz que visitar o Brasil com certeza está nos seus planos.

Read in english right after the portuguese version!

01 – Qual a origem do nome Klops?
“Clops” veio de “cyclops”, e o Naks SDK sugeriu usar um K para variar. Achei uma ideia boa, então eu fiz. Pronto.

02 – Você tem um trabalho que mescla muitas vezes personagens, letras e frases engraçadas. Acredita no graffiti em forma de protesto ou leva apenas como diversão?
Acredito nas duas coisas. Eu me divirto muito quando encontro um meio-termo para fazer minha crítica sobre questões sociais e ao mesmo tempo encontrar o humor nisso tudo. Não sou especialista em política, mas acho que todos nós concordamos que tem coisas muito erradas no governo, na política, na mídia…

03 – Você leva muito de sua estética de seu trabalho rua para seu trabalho de arte. É possível viver de arte desta forma ou o público ainda é muito restrito nos Estados Unidos?
Pelo que já vi, já tem artistas ganhando bem a vida com o “grafite” deles. Acho que é só uma questão de promover seu nome, trabalhar bem por aí e fazer seu próprio marketing direito. As mídias sociais são uma grande ferramenta pra isso.

04 – Quais são suas influências dentro do universo do cartoon?
Gosto de Calvin e Haroldo, Looney Tunes, South Park e charges políticas.

05 – O que mais gosta de fazer em Nova Iorque quando não se esta pintando?
Fazendo “coisa de gente normal” hahaha

06 – A impressão que se tem da cena de graffiti americana é muito fechada, poucos conhecem ou se interessam por a cultura de graffiti em outros países, fora dos EUA. Conhece alguma coisa do Brasil ou da América Latina? Já viu algo de pichação ou graffiti brasileiros?
Já vi as “pixações” e acho elas bem doidas pra cacete, no bom sentido. Tenho muito respeito pelos grafiteiros brasileiros. E sim, muitos grafiteiros americanos são bem arrogantes, tem um ar de superioridade que dá pra sentir da gente. Mas isso é fruto da ignorância. Tem gente que é ignorante por convicção.

07 – Alguns amigos seus já visitaram o Brasil, este ano inclusive. Chegaram a comentar algo com você? Tem a curiosidade de vir aqui algum dia?
Eles me disseram que se divertiram demais e eu adoraria fazer uma visita no futuro. É só questão de juntar o dinheiro. As viagens ficam caras bem rápido. Mas qualquer país com praias, mulheres gostosas e graffitis no meio da rua, à luz do dia, com certeza está na minha lista.

08- Dentre todos os parceiros que costuma pintar, qual você tem mais afinidade/ entrosamento para sair a rua?
O Pemex. Tenho muito respeito por ele e a gente concorda em quase tudo. Quando a gente pinta, cobrimos os melhores lugares da forma mais eficiente. Ele tem mais experiência e incentiva a gente a pintar com mais paixão quando eu me desanimo.

09 – Quem foi sua grande inspiração para começar a pintar? Teve algum nome que realmente foi seu mentor e te ensinou muitas coisas dentro do movimento?
Com certeza o JA foi uma das minhas inspirações pra começar a pintar. O Kuma também. Em relação a mentores, o STU AOB e o Pemex foram mentores muito bons pra mim, depois que eu passei alguns anos descobrindo meu jeito de pintar. Nas minhas primeiras etapas para aprender a pintar, não tinha ninguém pra me ensinar, então aprendi sozinho ou com um parceiro ocasional. Mas pintar com o STU e o Pemex, os dois mais velhos que eu e com mais experiência, me ensinou a pintar com mais inteligência e força.

10 – Nestes anos já deve ter passado nos trilhos ou nas ruas histórias e aventuras perigosas. Nos conte algumas histórias interessantes que já passou fazendo Graffiti.
Essa história não é tão maluca, mas uma vez eu estava pintando com o Nezo em 2010. A gente estava pintando uma parede que dá pra ver saindo da avenida, perto da rua e de um parque. Antes de terminar o traçado, os tiras chegaram, pararam no meio da rua e começaram a sair da viatura. Eu corri que nem o vento, passando por eles, na direção de onde eles tinham vindo. Um tira tava ocupado com o Nezo e o colega dele, que também estava pintando, e o outro tira me viu e começou a correr atrás de mim. Corri por um quarteirão com casas e abri uma boa distância à frente. Ouvi ele gritar pra mim, “quando eu te pegar, você tá fudido” haha. Cheguei à garagem de alguém depois de correr a toda velocidade por um quarteirão inteiro de onde a gente estava pintando, entrei embaixo de uma van branca nessa garagem e me escondi ali. O tira acabou chegando e eu vi os sapatos dele andando bem do lado da minha cara, comigo deitado embaixo da van. Ele iluminou a garagem com a lanterna enquanto passava e falou minha descrição no walkie-talkie dele. Eu fiquei escondido embaixo da van e vi faróis e viaturas da polícia passando, procurando por mim. O Nezo e o amigo burro dele (ele foi visto pintando e um cara que estava passeando com o cachorro chamou a polícia) foram presos e eu dormi embaixo da van por uma hora e liguei pra minha mãe me buscar depois de uma “festa bem doida”, LOL! Eu não tinha terminado de traçar o meu nome, então quando o Nezo foi preso, ele me contou que perguntaram pra ele onde estava o amigo “Kiops” dele. Bem embaixo dos narizes deles…

11 – Que cuidados é preciso se ter para pintar e fugir de investigações? Já se ferrou na mão de policiais?
Se não quiser problemas com a polícia, você precisa saber onde está se metendo. Se você é do tipo de grafiteiro pintando um monte de ruas, trens limpos ou propriedades da prefeitura, então fique longe das mídias sociais. Se você pintar propriedades que já têm grafites e ficar longe de áreas limpas que vão te dar muita treta, provavelmente você vai ficar numa boa. Também depende do que você publica nas mídias sociais. É só ser esperto. É claro que o jeito mais seguro é ficar totalmente fora do Instagram. Nunca se sabe o que pode acontecer. Mas quanto a mim, gosto de compartilhar minhas obras além dos grafites, então mantenho meu Instagram ativo. Mas esse é um risco que muitos grafiteiros estão dispostos a correr, ter páginas públicas com fotos das obras deles. Grafitar, por si só, é um risco. Mas é sempre melhor ser esperto e minimizar os riscos. Quase nunca publico locais de rua que pintei em Nova York porque vai lá saber se isso pode ser usado contra mim. Prefiro publicar obras bem legais em lugares fechados ou locais de rua em outras cidades para as quais viajei. Já fui preso algumas vezes por grafitar, mas nunca fico falando. Nunca fique intimidado com eles e não dê provas contra si mesmo. Fiquem de boca fechada, seus grafiteiros putos.

12- Suas frases são muitas vezes irônicas e engraçadas. Queriamos saber o que acha da eleição de Trump? Pensou em homenagea-lo em algum de seus graffitis?
Algumas coisas foram feitas e marteladas até não poder mais, e acho que o fato do Trump não servir para o cargo de presidente é uma dessas coisas que a gente já cansou de ouvir. Eu preferia fazer uma obra sobre os crimes da “Killary” Clinton, porque isso não ficou tanto em destaque quanto o comportamento infantil do Trump.

13 – Espaço para dizer o que quiser aos escritores e leitores brasileiros.
O Brasil parece ser um lugar incrível pra pintar e explorar. Quando viajo, espero que os nativos me recebam bem, e ficaria muito feliz de pintar com eles e aprender a cultura deles. Só quero dizer pros leitores que sou um cara normal que faz grafite. Não somos “deuses”. Não transformem a gente em ídolos. Com certeza eu não sou “rei” de nada. Mantenham a humildade e a sensualidade. Paz.

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INTERVIEW KLOPS

01 – What’s the origin of your name, Klops?
I got clops from cyclops and Naks SDK suggested I use a K to switch it up. I thought it was a good idea so I did. Boom.

02 – Your work often mixes characters, letter and funny sentences. Do you believe in graffiti as a form of protest or it’s simply fun?
I believe in both. I have the most fun when I find a middle ground to give my critique of social issues and simultaneously find the humor in it all. I’m not a political expert at all but I think we can all agree there are things about government, politics, and the media, that are very off..

03 – You take a lot of the aesthetics of your street work into you art work. Is it possible to make a living of art this way or is the audience in the US still very limited?
From what I’ve seen there are already artists making a good living off their “graffiti” art. I just think it’s a matter of getting your name and work out there and marketing yourself properly. Social media is a huge tool for that.

04 – What are your influences in the cartoon world?
I like Calvin and Hobbs, Looney Tunes, South Park, and political cartoons.

05 – What do you most enjoy doing in New York when you’re not painting?
Doing “regular people stuff” haha

06 – The impression we have from the American graffiti scene is that it’s very closed off, few know or are interested in the graffiti culture of other countries outside the US. Are you familiar with the scene in Brazil or Latin America? Have you seen any Brazilian pixação or graffiti?
I have seen pixacao and I think its fucking insane in a good way. I have alot of respect for Brazilian writers. And yea, alot of American writers are very arrogant and there is a vibe of superiority that you can feel off of us. Its just coming from a place of ignorance though. Some people are willfully ignorant.

07 – Some of your friends have already visited Brazil, this year even. Did they tell you anything about it? Are you curious to visit one day?
They told me they had a blast and I would love to visit sometime in the future. Its just a matter of saving up the money. Trips get expensive quick. But any country with beaches, hot girls, and daytime street bombing is def a country I’d like to check off my list.

08 – Amongst all your painting partners, with which do you feel more in tune/affinity to go out painting with?
Pemex. I have alot of respect for him and we see eye to eye on most things. When we paint, we paint the best spots in the most efficient way. He has more experience and he pushes us to paint harder when my drive wears down.

09 – Who was your great inspiration to start painting? Was there anyone who was really your mentor and taught you a lot about the movement?
JA was def one of my inspirations to start painting. Kuma too. As far as mentors, STU AOB and Pemex have been very good mentors to me after I figured my way of painting for a few years. In my early stages of learning how to paint I didnt really have anyone to teach me so i learned on my own or with an occasional partner. But painting with STU and Pemex, both older than me with more experience, has taught me how to paint smarter, and harder.

10 – In all these years you must have had some dangerous stories or adventures on the streets. Please tell us some interesting storie you have lived while making Graffiti.
This story is not that crazy but one time I was painting with Nezo in 2010. We were doing a wall you see coming off the highway that was close to the street and a park. Before I could finish outlining the cops rolled up, stopped in the middle of the street, and started to get out of the car. I ran like the fucking wind right past them heading in the direction they came from. One cop was busy with Nezo and his boy (who was also painting) and the other cop saw me and started chasing after me. I ran up a block with houses and got a good distance between me and the cop. I heard him yell at me “I’m going to fuck you up when I catch you” haha. I made it to someone’s driveway after running full speed for one long block from where we were painting and slid under a white van in the driveway and hid there. The cop eventually caught up and I could see his shoes walk right by my face as I layed under the van. His flashlight lit up the driveway as he walked past and read my description into his walkie talkie. I stayed hidden under the van and saw cop lights and cars drive by looking for me. Nezo and his dumb ass friend (he was seen painting and a guy walking his dog called it in) got arrested and i slept under the van for an hour and called my mom to pick me up after a “crazy party” LOL. I had only outlined my K on my filled in straight letter so when Nezo was arrested he told me they asked him where his friend “Kiops” was. Right under their noses…

11 – What care must be taken while painting and avoid being investigated? Have you had any trouble with the police?
If you dont want trouble with the police you need to know where you stand. If you are the type of writer bombing alot of streets, clean trains, or city property, then stay off social media. If you paint property that already has graffiti and stay away from clean areas that will bring you alot of heat then you will probably be fine. It also depends what you post on your social media. Just be smart about it. Obviously the safest way is to be off Instagram completely. You never know what can happen. But for me, i like sharing my pieces aside from graff so I keep my IG active. But thats a risk alot of writers are willing to take, having public pages with photos of their work. Writing graffiti itself is a risk. But its always better to minimize risks by being smart about it. I almost never post street spots I have painted in NYC because who knows if it could be used against me. I rather post dope pieces in secluded spots or street spots in other cities I’ve traveled to. I’ve been arrested a couple times for graffiti but I never chit chat. Don’t ever be intimidated by them and snitch on yourself. Just shut ur mouth ya graff sluts.

12 – Your sentences are often ironic and funny. What do you think about Trump’s election? Have you thought about making him a tribute or diss in one of your graffitis?
Some things have been done and hammered to death and I think the fact that Trump is unfit to be President is one of those things we have all heard on replay. I’d rather do a piece on the crimes of Hillary Clinton because that was something that wasn’t in the spotlight as much as Trump’s childish behavior.

13 – Is there anything else you which to tell Brazilian writers and readers?
Brazil looks like an amazing place to paint and explore. When I visit I hope locals can show me love and I’d be happy to paint with them and learn about their culture. I just want to say to readers, I’m just an average dude painting graffiti. We are not “gods”. Don’t make idols out of us. I’m def not a “king” of anything. Stay humble and stay sexy, Peace.