Entrevista – Gomes (Exclusivo)

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Vulgo: Gomes
Turma: TWS

Já cai pra dentro de alguns telhados, esfolei canela, costas, já tomei choque nas pernas, costelas, já fui pintado, já apanhei de polícia, já levei paulada na cabeça de um morador e tive que levar 5 pontos na cabeça, já socorri amigos, já fui preso! É foda! Aí os outros me perguntam: mais pra que você faz isso? Para com essas merdas. É foda!

 

Nas ruas desde o começo dos anos 2000, Gomes ficou conhecido por escrever seu nome, quase sempre azul claro, em incontáveis laterais de prédios por São Paulo. Integrante da turma TWS, o escritor relata ao BC um pouco da sua história e porque, apesar de todas as histórias passadas, ainda vale mais a pena ver a cidade lá de cima.

1-Quando começou seu interesse graffiti? Quais foram suas primeiras influências?

Então,  minhas primeiras influências foram fazendo tag de giz no ano de 2002. Comecei com o nome “ISNS” que significava Insanos. Lembro que juntava eu e mais uns amigos e virávamos as madrugadas andando e fazendo tag de giz mas sempre se ligando nos graffiti e na pixação. Aí comecei a fazer uns graffiti, isso era final de 2003, 2004, por aí.

2- Qual a origem do nome Gomes?
Meu sobrenome é Gomes.

3- Anteriormente você pertencia a crew “Os Mooca” e se associou aos “TWS”. Queria que contasse um pouco da sua história dentro das duas turmas.
A turma “Os Mooca” é do bairro onde moro mais já parei de fazer. Já a T.W.S que significa “Os Meia de Lã” é a turma que faço parte hoje junto de alguns amigos.

4- Apesar de estar a anos no graffiti, você ganhou notoriedade pelos feitos nas laterais de prédios. Como foi a transição do graffiti feito no chão e feito no alto? Da onde surgiu o interesse nessa modalidade?
Sempre gostei de fazer rolês que ficassem mais tempo nas ruas, tipo da véia manja? Ando muito pelas ruas e observo tudo. Sempre gostei de ver umas coisas na rua, de impacto forte, uns lugares que chamam mais atenção e que não tem como não se ver. Foi aí que comecei a ir para as laterais.

5- Antigamente via-se muitos conflitos entre grafiteiros e pixadores. Hoje é possível observar rolês dos dois tipos de escritores juntos, como em algumas laterais que você fez. Na sua opnião quais os próximos passos para o movimento de arte de rua?
Pra mim não tem essas de conflitos entre pixadores e grafiteiros se cada um respeitar o outro. As mesmas influências que eles têm eu tenho também. A diferença é que o rolê deles são de uma cor e os meus são de duas. Pra mim é a mesma coisa, o intuito vai ser o mesmo, de fazer o lugar mais louco, mais testa, mais visível e que dê aquele “boom” na cidade.

6- Praticar esse tipo de graffiti é algo muitas vezes perigoso e arriscado. Conte para nós algumas histórias interessantes que já passou pintando laterais.
Vixi, já passei por algumas nesses rolês de lateral. O que tá em jogo é minha vida e tudo pode acontecer na madrugada. Por isso esses rolês são bem difíceis e tem que ter muita cautela, atenção, ficar atento com qualquer coisa. Tenho algumas histórias para contar: já cai pra dentro de alguns telhados, esfolei canela, costas, já tomei choque nas pernas, costelas, já fui pintado, já apanhei de polícia, já levei paulada na cabeça de um morador e tive que levar 5 pontos na cabeça, já socorri amigos, já fui preso! É foda! Aí os outros me perguntam: mais pra que você faz isso? Para com essas merdas. É foda! Quem faz esses rolês, por mais que você queira parar você não consegue. Pode até dar um tempo mas tem uma hora que parece que tem algo dentro de você que é mais forte, que faz seu coração bater mais forte, seu sangue correr pelas veias e fala: você tem que ir pintar!  É uma coisa muito louca que só quem faz entende (risos).

7– Em todos esses anos de graffiti muita coisa mudou. O que sente falta de épocas passadas e o que não abriria mão dos dias de hoje?
Pra mim mudou o fato de que hoje eu prefiro pintar mais lateral do que chão. Vou explicar o porque. Um, porque já passou minha fase de ficar gastando meu salário com spray todos final de semana. Dois, porque o spray tá muito caro. Não tenho mais dinheiro pra ficar gastando assim com essas coisas, tenho outras responsas para pagar. Ás vezes quando pinto no chão, quando tenho spray, vou pintar com os amigos pra curti, dar risada, tirar um lazer e se divertir. Agora lateral é mais barato e dura mais o role, é mais difícil de apagar. Eu uso só látex e o role é mais impactante, me satisfaz mais. Quando tô nesse role eu sou muito focado, requer muita atenção, energia e disposição. Quando você deixa sua marca no lugar que você queria a brisa é muito boa e eterna, não tem como explicar. Não abriria mão de pintar com os amigos, tirar um lazer, dar risadas e zoar por aí.

8- O que o graffiti te proporcionou em todos esses anos?
Me proporciono alegrias, aventuras, adrenalina, brisas eternas, histórias para contar, risadas com os amigos e amizades leais que vou levar para vida toda.

9 – Acredita no graffiti como forma de protesto? Ou seria apenas ego, adrenalina e diversão?
Sim. É uma forma de protesto muito forte. Eu faço porque gosto mesmo. Como disse, só quem vive isso que vai entender o vicio gostoso que é.

 10-Espaço livre para falar o que quiser.
Queria agradecer vocês do Beside Colors por me convidar para essa entrevista e mandar um abraço aos escritores de rua que se arriscam para deixa sua marca e representar a grande cidade, sem atropelar ou invadir o espaço um do outro,  sempre respeitando o próximo. Nóis! Tamo junto!