Cidade Linda ou Cidade Cinza?

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O prefeito João Doria junto a políticos como Bruno Covas reacendem uma discussão antiga na cidade com a implementação do programa intitulado “Cidade Linda”.

Com uma política de tolerância zero a pichação e um projeto para a criação do chamado “grafitódromo” no bairro da Mooca ao estilo Wynwood de Miami, Dória divide opiniões entre a população sobre suas decisões tomadas.

Lugares como a 23 de Maio e os seus “Arcos de Jânio”, repletos de graffitis e outras manifestações artísticas, foram cobertas na manhã de sábado pelo próprio prefeito vestido de uniforme laranja e equipado de uma máquina compressora que cuspia tinta cinza em cima de muros intitulados velhos e vandalizados. Insistindo para os pichadores mudarem de profissão, o prefeito dá o recado: “Se tornem artistas e terão o apoio da Prefeitura para a arte urbana, através da Secretaria de Cultura, onde estas pessoas vão receber orientação, apoio, material, recursos pra que se tornem artistas, grafiteiros ou muralistas. Se quiserem continuar disputando com a Prefeitura, serão perdedores”.

 

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Dória em ação: cidade linda?

De outro lado, artistas urbanos (tanto grafiteiros como pichadores) questionam as medidas e expõem a visão de um movimento que está enraizado na cidade a mais de 30 anos. Segundo alguns escritores o próprio nome do projeto, implementado após dois dias da posse, carrega um julgamento e um padrão pré-estabelecido do que é arte, do que é bonito e o que representa a cidade.

“O que se quer apagar tem cor, classe social e endereço. Uma cultura de rua que vem das margens, mas que não se limita a elas, circula por toda a cidade, transpondo barreiras físicas e simbólicas. Guerrear é não querer o diálogo, diálogo que nem sequer tentou-se estabelecer. Pintar uma cidade inteira de uma só cor, é tirar da visibilidade das superfícies a diversidade que faz da nossa cidade o que somos. Aqui não é Miami, aqui é São Paulo mesmo, e é essa cidade que queremos para a gente. Uma cidade que, com todas dificuldades, permite diferentes formas de experiências, vivências e circulação. Essa cidade nunca deixaremos ser maquiada. Talvez o que se enxergue no spray, nos rolinhos e nas tintas seja mesmo uma arma, mas trata-se da arma das ideias, e as nossas sempre serão livres.” explana o escritor Enivo em suas redes sociais.

Seria papel da cidade definir esses padrões? Quem realmente tem poder de faze-lo?

Esta são perguntas que ainda vão dar muito o que falar.

 

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Avenida 23 de maio antes da manhã de 02 de Janeiro.

 

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Avenida 23 de maio depois da manhã de 02 de Janeiro: segundo autoridades o local está mais bonito e agradável.