Carta de #DI# (1992)

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Monumento criado por #DI# em 1992: reivindicação de espaço na mídia

São Paulo 24 de Julho de 1992

Venho por meio desta falar uma critica a vocês por não darem espaço aos pichadores nos jornais.

Eu acho que mesmo todos achando que a pichação é um crime, ela merece seu espaço, que ao mesmo tempo aqueles que matam, aqueles que robam e até aqueles que estrupam tem o seu direito, porque nós não?

Se todos tem que ficar informado sobre o que acontece na vida do crime, tem que ficar também informado sobre a pichação, já que todos acham que é um crime o ato de pichar.

Na minha opinião eu também acho que pichar é errado, mas não chega ao ponto de ser um crime como todos considera, principalmente a polícia que quando pega um pichador trata pior que bandido, experiência própria.

Para o pichador pichar é uma arte, mas uma arte proibida, e já publicado em uma edição a tal frase: “Se pichar fosse arte, não seria feita em muros, e sim em telas e vendida como quadro”.

Depois que eu li essa fraze resolve tentar fazer da pichação uma arte, construindo com as minhas próprias mão um tipo de monumento e a coloquei no Ibirapuera, mas ninguém se interessou, é por esse motivo que escrevo essa carta e mando esta foto que é do monumento que fiz para ver se tinha algum jeito de vocês publica-la, para todos tomarem o conhecimento que a pichação não é tão assim como eles acham.

Eu sou um ex-pichador, parei de pichar por que vi, não tinha mais sentido, e sem contar os prejuizos na compra das tintas. A metade de um salário de um office-boy e o castigo sofrido pela polícia, e também por causa das minhas 5 passagens pela FEBEM e 4 no S.O.S. Criança e 23 em várias delegacias e sem contar os problemas com a família e as roupas perdidas.

Espero parar de pichar, e pelo menos está em minha consciência que de todos os muros que pichei ao menos eu fiz uma arte e que todos tomou conhecimento que é este monumento que fiz com muito esforço.

Muito obrigado pela atenção de vocês, e aguardarei ansiosamente uma resposta.

Muito grato: Edmilson Macena de Oliveira: 17 anos