Carla Arakaki Shoots #3 – Os Cururu, Aboa, Rota e Febre (Exclusivo)

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1h30 da manhã. Carla e mais quatro rapazes se dirigem a linha do trem. Paralela aos trilhos se encontra a fábrica de uma conhecida montadora, o alvo da noite. Guedes, Bino, Maré e Rafa dividem os espaços minutos antes de subir para fazerem seus rabiscos. “Estava apreensivo e com medo de ser visto pelos maquinistas dos trem naquela hora da madrugada” conta Bino, pixador da turma ABOA desde 1997. A fotógrafa, experientes em situações como essa, registrava de longe os primeiros passos. “Lembro de chegar e ouvir os meninos reclamarem do tempo que iam demorar fazendo o pixo. Fotografei a subida e fui me esconder porque o barulho que fizeram atraiu os seguranças que ficaram um tempão passando a lanterna na linha do trem e ali embaixo” explana.

Após a escalada entre ferros, o momento mais crítico foi caminhar entre os canos. “A estrura dos canos era de fibra de vidro e os nossos braços ficaram muito vermelho e irritados por causa do atrito com a fibra” conta Guedes, do rolê OSCURURU há quase vinte anos. Para Rafa do grupo ROTA as consequências foram ainda piores. “Demorei mais de duas semanas para tirar os fragmentos dos canos que se esfarelavam no meu braço” explica. Sob as lentes de Arakaki que acompanhava tudo lá de baixo a ação durou quase a madrugada inteira. “Levou cerca de 40 minutos só para eles chegarem na parte mais testa. De onde eu tava eles pareciam formigas” relata. Após dividirem os espaços, esperar os seguranças saírem (ficaram procurando nos trilhos e esqueceram de olhar para cima) e cada um se posicionar na área delimitada, os quatro rapazes começarem a fazer suas inscrições nas chapas. “Dá uma tremedeira nas pernas e uma adrenalina antes de começar. Quando se escuta o primeiro jato de tinta saindo do spray essa sensação de medo vai embora e aí é só alegria. O barulho dos spray de todos ao mesmo tempo soava como uma música mesmo, escutando bolinha da lata batendo e o jato de tinta saindo na madrugada silenciosa” relata Maré do grupo FEBRE.

Na hora de descer, novos problemas. Avistados por trabalhadores de outro galpão que começaram a assobiar, o grupo desceu rapidamente antes que qualquer denúncia fosse efetuada, não pagariam para ver. “Graças a Deus conseguimos descer do pico e ficamos ali parados por minutos embaixo do pico admirando o que tínhamos feito, um alívio de ter dado tudo certo e de ver os pixos bem colocados e foscados” conta o integrante do FEBRE. As 5h30 da manhã, já com trens em andamento, era hora de ir embora. “Foi uma noite boa, tudo propício, aquela lua linda e rodeado de bons amigos. Só tenho a agradecer” finaliza Maré.