Aislap (Ayslap)

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Dizer que Ais e Slap são um dos maiores expoentes da arte urbana chilena fica longe de ser um exagero. Criados nas redondezas de Santa Rosa, a dupla se conheceu através de um denominador comum: o graffiti. Ays conhecia Slap pelos que via de trabalhos dele na rua e Slap da mesma forma sabia da existência de Ays, contudo não se conheciam pessoalmente. A transição para um único nome foi rápida. Logo no primeiro rolê juntos e após terem “rayado” seus nomes separados, os dois tiveram uma idéia: Por que não assinar apenas um nome? Era o início do AISLAP.

Crescendo em meio a nomes como Grin, Zekis e Toc que já dominavam as grandes avenidas de Santiago, fãs de nomes como o pintor mexicano Diego Rivera e inspirados em movimentos como o BRP (Brigada Ramona Parra), a dupla deu seus primeiros passos em ‘la calles’ no começo dos anos 90. “Quando começamos a pintar juntos os nossos estilos não se combinavam muito, mas com o tempo e prática desenvolvemos um mesmo estilo e técnica” explicam sobre o começo de tudo. Com murais coloridos e letras grandes e blocadas,  Aislap contam a importância do graffiti em suas vidas: “Para nós o graffiti é um estilo de vida. Sem o graffiti não somos nada. Nossa vida sempre foi o graffiti ou estar colaborando com o graffiti. Pintar para nós é aliviar as tensões, esquecer dos problemas, gostamos de inventar uma forma de fazer novas letras mesclando bomb e peças, usar nosso estilo e técnica que temos, sempre estar inventando e inovando. Gostamos de fazer peças que prendam a atenção, seja impactante e com cores, perspectivas”.

Com mais de 1500 murais pintados no currículo, o poder da arte sempre foi algo que motivou os dois artistas. “Graffiti é algo que se faz na rua e é feito para nós mas principalmente para as outras pessoas, adultos e crianças. Os muros e superfícies que ocupamos são lugares mortos e cinzas que damos cor. Fazemos com que as partes feias e abandonadas da cidade tenham vida, cores.” explanam.

Sobre a cena mais underground de trens e bombing são mentores de uma das crews mais respeitadas da américa latina. “Nós sentimos que pintar é como um vício. Por isso nossa crew chama-se ADEP (Adicción de Pintar). Somos AISLAP ADEP, essa é nossa única crew e nada mais” contam. Ainda sobre o assunto, a dupla explica o real espírito do graffiti: “O bombardeio é o que mais gostamos … gostamos do ilegal. Chegamos e pintamos. Sentimos adrenalina de pintar algo que não está autorizado também, onde podem te pegar a qualquer momento. Está fazendo e sabe que tem 5 ou 10 minutos para aquilo. Gostamos de fazer algo grande em pouco tempo… Alguns acham que nossos bombs são legais, mas não, não pedimos nada a ninguém. Somos viciados em rabiscar, nos subimos em um micro e pintamos ele inteiro. Gostamos de riscar onde quer que seja e pintar o dia inteiro”.

Atacando sempre grandes avenidas e lugares públicos onde o máximo de exposição é alcançado, a dupla considera 2002 um ano muito importante. “Esse ano pintamos mais de 200 peças. Pintando todos os dias sem sequer dinheiro para o transporte. Andávamos em uma bicicleta que é uma relíquia para nós, nos acompanhou para todos os lados durante muito tempo. As vezes não tínhamos “plata” para comprar material, convertíamos  1500 pesos em dois sprays e achavamos tinta jogada nas ruas para pintar. A pintura nos persegue. Vivemos da pintura e a pintura vive em nós. Ainda que não tenhamos um peso sempre teremos com que pintar, se queremos pintar vamos e fazemos” finaliza.

 

Vídeo da Rojizo sobre a dupla: