A história secreta dos grafiteiros punks (por i-D)

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O primeiro livro do escritor Freddy Alva intitulado “Urban Styles: Graffiti in New York Hardcore” é um mergulho num tempo onde subculturas e movimentos undergrounds (fora dos holofotes do mainstream de hoje em dia) se misturavam de maneira natural e única. Alva aborda as congruências da cena punk rock dos anos 80 com o movimento que literalmente devastava as ruas de Nova Iorque nos anos 70 e 80, o graffiti. Um momento único onde duas culturas marginais co-existiram e se complementaram. Muitos escritores que se aventuravam entre os yards também dançavam no tablado do CBGB. Simples assim. E é através desses personagens que o livro se constrói. Depoimentos de nomes como Chaka Malik, Lord Ezec e Sacha Jenkins compõem o livro que também foi tema de uma matéria da i-D neste ano. No segundo semestre deste ano Matthew Whitehouse comentou o lançamento do livro e a ligação do graffiti com punk rock em Nova Iorque. Segue a matéria na íntegra e traduzida:

Hip-hop foi a trilha sonora exclusiva do graffiti nos anos 80, correto? Errado. No outro lado das tracks, os adeptos de Sabbath, punks de Nova Iorque frequentadores do CBGB, da cena de hard core, estavam desenvolvendo um estilo único e muito peculiar.

 

O lendário CBGB: point de alguns escritores e punks, ou escritores punks.

 

A muito tempo atrás, antes de ser usado como uma forma de vender hambúrgueres e casas de luxo, o graffiti foi o personagem principal da cultura jovem. Apesar de ser uma forma de arte que nós sabemos que nasceu na Filadélfia nos anos 60, foi em Nova Iorque, nas décadas de 70 e 80 – particularmente em Washington Heights e nas redondezas do Bronx – que o graffiti realmente encontrou sua voz; um tempo onde os principais nomes do movimento competiriam para rabiscar muros, frentes de lojas e o mais famoso deles, vagões de metrô.

Exemplar do livro “Urban Styles: Graffiti in New York Hardcore”: infelizmente só na versão em inglês.

 

Isso é, com certeza, o estilo mais intimamente associado a herança do hip-hop na cidade. Mas na metade dos anos 80, o graffiti foi uma importante parte da estética visual da cena punk também – capas de demos, flyers de shows e logos para bandas como Crumbsuckers, Outburst e Pagan Babies, exibindo um estilo frenético e áspero que era tão CBGB quanto B-Boy. A base do novo livro – Urban Styles: Graffiti in New York  escrito pelo autor e documentarista Freddy Alva – é essa cena grande mas que não foi documentada, em que membros de banda iam para as ruas com suas botas e suspensórios grafitar durante noite a dentro. Aqui, Freddy nos fala dessa época através de alguns dos mais importantes e atuantes grafiteiros.

Mackie Jayson

Mackie Jayson sob o vulgo de Hype/Hyper é uma lenda do graffiti da metade dos anos 70, afiliado a conhecida crew RTW (Rolling Thunder Writers). Se tornou o “King of the #1 Line” em 1978 devido a sua busca implacável de estar sempre no topo, getting up. O conhecido fotógrafo de graffiti Henry Chalfant clicou pieces de Hype e expôs eles em exibições, dentro de galerias. Mackie tocou bateria na primeira banda NYHC (New York Hard Core) em 1981 composta de grafiteiros que se chamava “Frontline”, além de Cro-Mags, Bad Brains, The Icemen, Shelter e Hazen St. Seu trabalho pioneiro misturando ambos dessas sub-culturas deu a ele uma posição elevada no “parthenon”dos grafiteiros que tocaram nas NYHC Bands e nada mais justo ele ser o foco da entrevista principal no primeiro capitulo do livro.

 

Mackie aka Hype: vida dividida entre latas de spray e baquetas.

 

Sane Smith

Sane Smith são dois irmãos que cresceram em Uptown Manhattan,  começaram a rabiscar seus nomes no meio dos anos 80 e chegaram ao ápice no final da Train Era, em 1989. Eles realizaram isso, passando para produções em grande escala em pontos estratégicos da cidade, o mais famoso deles foi a conhecida Brooklyn Bridge em 1990. O lema de rabiscar sem parar dos dois escritores criou um desconforto generalizado entre as autoridades, principalmente Sane que se tornou o primeiro grafiteiro a ser preso com acusações de delitos criminais de terceiro grau. Todas as cobranças foram subsequentemente arquivadas após a morte inesperada de Sane em Outubro de 1990. O livro celebra sua contribuição ao graffiti e sua essência hard core, apresentando uma entrevista com Smith e exibindo suas fotografias de graffitis ao lado de escritores da cena hard core como Hush, Jere e Natz.

 

Sane e Smith: um das grandes duplas da história do graffiti.

 

MQ

MQ (Most Qualified) é um notório escritor afiliado a crew DMS, composta por membros da cena hard core de Nova Iorque e foi essencial na transição de graffitis em pontes, estradas e nas ruas quando a Golden Era dos trens terminou em 1989. Nos anos 90 ele construiu sua reputação sendo um grafiteiro destemido, disposto e atuante em qualquer superfície, onde quer que estivesse, em Nova Iorque ou qualquer outro lugar do mundo. MQ continua o mesmo, um dos poucos escritores remanescentes dos anos 80 e em atividade até hoje. Existem um número considerável de pieces que ele fez em todos esses anos representando bandas de NYHC como Madball e Sub-Zero que estão no livro.

 

MQ: um dos poucos remanescentes de sua geração que ainda estão em plena atividade.

 

Smog

Smog (Satanic Majesty of Graffiti) cresceu assistindo a algumas das mais clássicas matinês de hard core na CBGB e começou a grafitar trens em 1986. Famoso por usar um personagem da banda Crumbsuckers para compor seus pieces, ele continua a atuar na cena atual; seja em trens de carga, em estradas, paredes ou colando stickers por toda a cidade. SMOG é um membro da respeitada crew RIS (Rocking it Suckers), assim como da sua própria crew, a ROT (Ratz on Tracks), ambos contam com um grande número de membros da cena hard core de Nova Iorque.

 

Smog: escritor cresceu em meio a punks e shows no clássico CBGB.

 

Fcee

FCEE, tambem conhecido como Forever Crushing Everything Everywhere é nativo do Queens e um membro original do time NYHC, fundado pelo escritor de graffiti Chaka Malik’s da turma Stagedive, presente no final dos anos 80. Eles perpetuaram uma velha tradição em Nova Iorque de fundir graffiti, hard core e skate numa coisa só. FCEE continua pintando regularmente. No livro você irá ver seus pieces representando as NYHC Bands como Burn, Skarhead e Dmize.

 

Fcee: formula para misturar hard core, skate e é claro graffiti .